sábado, 23 de novembro de 2013

A CURA PELA MEDITAÇÃO


A prática da meditação tem uma história muito antiga e as suas ramificações são muitas. Talvez seja mais correto falar de meditações ou de técnicas de meditação. Já a própria palavra meditar pode desorientar na medida em que o seu significado varia segundo as interpretações: vai desde um simples pensar em qualquer coisa a uma profunda reflexão sobre um assunto, passando por um sentido mais religioso como ritual de culto.
A sua origem vem do latim medeor (que encontramos em medicamento) e que significa curar. Ora, isto significa que já os povos antigos tinham percebido que as práticas de meditação e a sua virtude terapêutica estavam interligadas. Independentemente do tipo de meditação que se pratica, há eixos comuns a todas elas, nomeadamente a procura de uma calma mental duradoura.
Quem se dedica regularmente à meditação modifica a atividade cerebral. A comprovar esta afirmação são já várias investigações de natureza científica. A pergunta que se faz é: em que medida é que meditar pode curar?
Foram feitos estudos na Universidade de Ontário, utilizando uma amostra de sujeitos que sofriam de depressão. A amostra foi dividida em três grupos e cada um recebeu um tipo de terapia diferente: toma de antidepressivos, toma de placebo e prática de meditação. Esta última foi a que demonstrou ter mais sucesso.
No que respeita ao problema da dor crónica, os resultados foram semelhantes, segundo um estudo da Universidade da Carolina do Norte. A intensidade de dor percecionada pelos praticantes de meditação foi 40% inferior relativamente aos restantes. Esta diminuição da intensidade da dor está relacionada com o aumento da atividade do córtex anterior cingulado e com uma baixa atividade da ínsula anterior, regiões do cérebro que intervêm na regulação cognitiva da dor.
Mesmo para quem não sofre de nenhum destes males, a meditação é salutar. Trata-se de uma prática que exige perseverança, mas cujos efeitos benéficos já ninguém põe em causa.

                                Rossana Appolloni