Estar doente e
internado num hospital, ou numa clínica, é sempre uma situação geradora de
ansiedade, por melhores que sejam as condições e as perspetivas de diagnóstico.
No caso das crianças, o sofrimento e um eventual sentimento de
despersonalização anulam a alegria que, em circunstâncias normais no seio da
família, caracterizam o espírito da idade. A tristeza e o desânimo enfraquecem
o sistema de defesas naturais, agravando assim as condições anímicas para
debelar a doença. Pelo contrário, o riso proporciona um bem-estar físico e
emocional imediato, criando condições para enfrentar as dificuldades com menos
tensão. Vários estudos têm concluído que as pessoas alegres e com bom humor têm
tendência para viver mais tempo e apresentam melhores níveis de satisfação com
a vida.
Não é pois de
estranhar que se possa falar de uma terapia do riso utilizada para recuperar o
bem-estar emocional e ajudar as pessoas a encarar a vida com mais descontração
e menos pessimismo. Se nos lembrarmos que, em circunstâncias normais, as
crianças são capazes de rir espontaneamente cerca de 250 vezes por dia, por
certo aceitaremos sem preconceitos que duas das funções mais relevantes do
sentido de humor consistem em recuperar o espírito de criança que existe em
cada um de nós e em aprender a rirmo-nos de nós próprios a fim de desdramatizar
os imponderáveis de um quotidiano demasiado sobrecarregado de dificuldades.
A terapia do riso é
mais eficaz quando é feita em grupo, não só porque o riso é contagiante como
são reconhecidos os benefícios do riso na criação de laços de empatia entre as
pessoas. Cria-se assim uma dinâmica em que todos os participantes se reconhecem
no propósito de valorizar uma emoção positiva elementar fundada na alegria de
viver. Desde os anos 80 que várias experiências clínicas nos Estados Unidos têm
procurado avaliar o impacto psicossocial de diversas intervenções lúdicas junto
de grupos de pacientes hospitalizados, nomeadamente no sector da pediatria. Os
estudos mostram que depois das visitas dos palhaços, as crianças mostram sinais
de maior atividade, colaboram com mais facilidade com o pessoal clínico,
aceitam melhor os tratamentos, revelam menor stress em relação à doença e ficam
mais comunicativas.
O extraordinário
progresso tecnológico que a medicina conheceu nos últimos anos permite tratar e
salvar pacientes que sofrem de patologias graves. O espírito científico de
combate objetivo e impessoal à doença é certamente uma condição indispensável
ao avanço do saber e ao desenvolvimento de medidas de implementação de saúde
pública. Porém, o tratamento da doença não deve fazer esquecer o tratamento do
doente e a sua condição humana. Ou seja, o tratamento do doente deve ser
pessoal no sentido em que tratar de um doente significa tratar de uma pessoa. É
este princípio elementar da medicina humanista que a presença dos Doutores
Palhaços nas enfermarias pediátricas ajuda a consolidar com o apoio de médicos,
enfermeiros e terapeutas. Cada criança entra em contacto individual com os
Palhaços que o deslumbram e surpreendem com graças improvisadas, no estrito
respeito pelo seu estado de espírito atual e pelo direito de se sentir de novo
uma criança capaz de brincar, de participar, de sorrir e de se abrir ao mundo de
forma positiva.
Obrigada caros
Doutores! Obrigada queridos Palhaços!
Rossana Appolloni