quinta-feira, 7 de junho de 2012

UM PLÁTANO ÁRVORE E UM PLÁTANO REVISTA



Teve lugar no passado dia 23 de Maio o lançamento do número 5 da revista Plátano, em Portalegre. Trata-se, praticamente, da única revista de natureza cultural existente na cidade.
Ora, para Portalegre, a palavra plátano tem um significado muito próprio pois é aqui que existe uma das árvores maiores e mais antigas do País. Aquela sua copa gigante ouviu muitos lamentos e projectos, alguns dos quais se tornaram realidade; foi testemunha de negócios das gentes simples da cidade.
Numa outra faceta na sua já longa vida de 174 anos, o Plátano-árvore foi, e continua a ser, um ponto de encontro das pessoas. Com os de fora e com os de dentro. Ali se trocam abraços, se matam saudades, se fala das coisas que nos alegram e das que nos amarguram.
Mas em todas as circunstâncias, ela é aquela sombra refrescante que nos dias de calor nos protege do sol escaldante e nos convida a descansar debaixo dos seus ramos, para depois prosseguirmos a nossa marcha. Ela não rejeita ninguém; a todos acolhe.
Também a revista Plátano é um espaço cultural que não discrimina, acolhendo portalegrenses e não portalegrenses. Ela é um ponto de encontro de várias correntes, gerações, temas e ideologias numa diversidade e complementaridade que a enriquecem.
Neste número fala-se predominantemente de Portalegre, quer nos anos da II guerra mundial e de recordações familiares que são um pretexto para a história da cidade desse tempo, quer de uma sua escritora, Luísa Grande, e ainda de duas instituições, a Escola Secundária Mouzinho da Silveira e a Biblioteca Municipal em que, com os seus espólios, mostram a riqueza bibliográfica ali existentes. Centrados, ainda, em Portalegre, a revista traz-nos um estudo sobre José Régio nos anos de 41 e 42 e, ainda, um artigo crítico sobre a Portalegre de hoje que, parecendo ir a caminho do deserto, nela existem réstias de esperança, pelo menos no que à cultura se refere. Num âmbito geográfico mais amplo, surge-nos um estudo sobre os celeiros no Distrito de Portalegre.
Alargando ainda mais o conteúdo dos temas, apresenta-se-nos um artigo sobre uma União Europeia mais solidária. Por fim, focando, agora, temas mais gerais, há um artigo sobre a “animação teatral no desenvolvimento local e comunitário” e um outro sobre “as crenças, as expectativas e os estereótipos em diferentes espaços sociais”.
Finalmente, nela aparece a poesia. Esta, mais do que nunca e para os dias de hoje, é uma das poucas fontes que nos pode trazer o lenitivo ao espírito, perante a realidade acabrunhante que estamos a viver
Voltemos ao Plátano–árvore. Ele tem uma história já longa. Atribui-se a José Maria Grande a plantação desta árvore em 1838. Aquele ilustre portalegrense, sendo médico, distinguiu-se fundamentalmente no domínio da Botânica, tendo vindo a ser, além de professor daquela disciplina na Escola Politécnica, o director do Jardim Botânico da Ajuda.
Ora o “plantador” desta Revista chama-se Mário Casa Nova. Ele tem propiciado, no meio da vertigem que nos envolve, momentos de repouso e de fruição intelectual a quem sob as páginas da Plátano se acolhe.
Como diz o editorialista deste número, esta revista “assume uma vez mais a responsabilidade de não deixar morrer o pensamento”.

                                             Mário Freire