sábado, 30 de janeiro de 2016

OS PAIS QUE VALORIZAM A APRENDIZAGEM DOS FILHOS

             




O que é valorizar a aprendizagem dos filhos? É perguntar-lhes, com serenidade, como têm decorrido as aulas, que matérias estão a dar nas diversas disciplinas, quais as dificuldades que estão a sentir no estudo e quais as maneiras que eles acham, se já forem adolescentes, de as ultrapassarem. Além disso, a observação dos filhos em casa em relação ao estudo é um meio de os pais se aperceberem se a aprendizagem está a ser feita adequadamente. Depois, há sempre uma maneira de ver se os filhos estão a trilhar os caminhos adequados na aprendizagem: dirigirem-se ao director de turma ou ao professor, se a criança ainda frequenta o 1º ciclo do básico. Pais que procedam assim estão a contribuir para a principal conclusão que o investigador Francisco Peixoto do Instituto Superior de Psicologia Aplicada chegou: pais que valorizam a aprendizagem têm filhos com melhores notas.
Se os pais focarem a sua atenção no aprender dos filhos, como um caminho que se vai construindo, é mais eficaz do que centrarem-se nos resultados que eles trazem para casa. Segundo o estudo feito, a atitude dos pais tem reflexos ao nível da motivação dos filhos para aprenderem. Assim, se os pais estão constantemente a pressioná-los para terem boas classificações, estes ficam com maior ansiedade, desmotivam-se porque as expectativas dos pais nem sempre correspondem às notas obtidas, fomenta-se o espírito de competição e, até, de inveja das crianças entre si, abrindo portas para um mau ambiente familiar.
Os pais têm, pois, um papel fundamental na aprendizagem dos seus filhos, fazendo com que eles vejam o seu estudo mais como um processo em que se valorizam e têm possibilidades de melhor alcançar as suas metas na vida. Claro que nem sempre no estudo tudo corre bem. Há, então, que fazê-los aprender com os erros, na presunção de que o aluno tem direito a errar, dando-lhes incentivo para ultrapassarem as dificuldades. A aprendizagem é um meio de valorização das capacidades. Fazer da aprendizagem um terreno de disputa e de querer ser melhor que o companheiro é corroer a personalidade da criança e adolescente e proporcionar-lhes as condições para serem adultos infelizes.


                                                            Mário Freire

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

CONFERÊNCIA DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE O CLIMA




            Os 195 países reunidos em Paris na conferência das Nações Unidas sobre o clima (COP21), assinaram o primeiro acordo universal de luta contra as alterações climáticas e o aquecimento global.
            Os observadores concordam em qualificar a COP21 como um sucesso diplomático. Há, contudo, quem não seja dessa opinião. A COP21 não terá efeitos imediatos (só a partir de 2020) mas, para já, tornou possível que os muitos países presentes se comprometessem, embora de forma não vinculativa, num combate que todos reconhecem de grande importância para a regulação do clima da Terra. 
            O acordo de Paris pretende que o aquecimento global não ultrapasse os 2°C. Isso pressupõe nos próximos anos um trabalho conjunto a nível nacional, europeu e internacional, no âmbito da eficiência energética e das energias renováveis.
            As mudanças climáticas terão consequências ambientais, económicas e sociais em todo o mundo. Quais serão os cenários para a Europa e para o mundo?
            No pior cenário, num horizonte de 2100, a temperatura teria um aumento de 4.8 ºC. Este cenário será de esperar se nada for feito. Neste caso, apresentar-se-ão três grandes riscos para a Europa e para os seus habitantes:
- A economia seria gravemente afectada pelo aumento das inundações, subida do nível do mar, poluição dos rios e dos lençóis freáticos.
- Uma diminuição da água disponível, acompanhada dum aumento do consumo, afectaria todos os sectores da economia em particular a agricultura e a indústria. Na Europa, a região mais afectada seria a região mediterrânica, onde as secas seriam mais frequentes.
- Uma multiplicação de episódios de calor extremo teria consequências graves na produção agrícola, na produtividade, na saúde e duma forma geral no bem-estar das populações. Também os fogos florestais aumentariam.
            Outros cenários, menos dramáticos, poderão ser apresentados mas a seu sucesso depende do facto de se conseguir ou não limitar o aumento da temperatura global. Este aumento não deverá nunca ultrapassar o limiar fatídico de 2ºC, acima dos quais os danos ambientais são irreversíveis.
            Os peritos afirmam, com elevado grau de certeza, que as actividades antropogénicas são responsáveis pelas mudanças climáticas. Será pois uma alteração do comportamento humano, que poderá inverter a situação.
            Diversas soluções, têm sido apontadas, quer a nível local quer a nível regional e global. De referir, entre outras, o aumento da eficiência nos sectores energético e dos transportes que conduziria a uma redução efectiva das emissões. Também uma maior utilização das energias renováveis e a generalização de normas ecológicas na agricultura seriam da maior importância.

                                                 FNeves



domingo, 24 de janeiro de 2016

DESLUMBRAMENTO





 - Vem ver o Alentejo. É Primavera.
O sol e a madressilva são amantes.
Os regatos são braços de cratera
Os prados, oceanos transbordantes.

A urze de mão dada com a giesta
Convidam p´ra dançar o rosmaninho.
É um clamor, um bradar de festa
Nas ramagens viçosas do caminho.


Quem deu a partitura à cotovia?!...
E a música dos ninhos nos beirais
Que compositor melhor a concebia?!...

Quem deu ao Alentejo a imensidade?!...
E os quadros com papoilas de cetim
Que mente genial os pintou, assim?!...


Aldina Cortes Gaspar

In”ALENTEJO ADENTRO”








quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

METEORITOS





No “Livro das Pedras”, de Aristóteles (384-322 a. C.), que se julga não ser da autoria deste filósofo, mas sim uma compilação das suas ideias, feita por um anónimo, provavelmente um árabe posterior ao século IX, distinguem-se “gemas”, “pedras comuns”, “metais” e “sais” e disserta-se sobre a influência dos astros, em geral, e do Sol, em particular, no nascimento de alguns destes objectos naturais. Na sua visão sobre as ”influências celestiais”, o fundador do Liceu de Atenas defendia que, sob o efeito dos raios solares, certas “exalações” se escapavam para a atmosfera. Destas, as “exalações húmidas”, davam origem às nuvens, e as “exalações secas”, associadas às trovoadas, condensavam e caíam sobre a Terra, quer, frequentemente, sob a forma de granizo, quer, esporadicamente, como pedras que sabemos corresponderem a meteoritos.
Os meteoritos são antigos, vêm de longe e trazem consigo uma parcela da história dos começos do Sistema Solar. Com eles se inicia a nossa própria história como parte que somos deste mesmo conjunto. A palavra foi criada com base no termo grego metéóros que refere o que está ou vem do alto. Os antigos designavam-nos por bólides, uma vez que cruzavam os céus velozes como dardos.
Estima-se em cerca de cinco centenas o número deste tipo de  meteoritos que, por ano, atingem a superfície do nosso planeta. Destes, como é natural, dois terços perdem-se no mar. Dos restantes, caídos em terra, só cerca de uma dezena chega ao nosso conhecimento. As estrelas cadentes são micrometeoritos, com a dimensão de grãos de areia fina. Em queda livre sobre a Terra, a velocidades na ordem das dezenas de quilómetros por segundo, aquecem por atrito com a atmosfera, tornando-se incandescentes, acabando por se volatilizar sem deixar quaisquer vestígios. Os mais volumosos resistem ao aquecimento durante esta travessia vertiginosa, deles restando porções maiores ou menores, que, ao colidirem com a superfície, abrem crateras de impacte de dimensões proporcionais às respectivas massas e velocidades.
A importância dos meteoritos é essencialmente científica. À semelhança das amostras de rochas trazidas da superfície lunar, constituem documentos importantes para o estudo da história da Terra e do Sistema Solar. Muitos deles mostram semelhanças com certas rochas da Terra, nomeadamente as de natureza peridotítica do manto superior. Para além de elementos químicos comuns na crosta terrestre (oxigénio, silício, alumínio, ferro, magnésio, cálcio, sódio, potássio, titânio), os meteoritos caracterizam-se pela presença de outros particularmente raros à superfície da Terra, como irídio, platina, ósmio, paládio, ruténio, níquel, arsénio, etc. Caracterizam-se, ainda, pela presença de ferro nativo (não combinado), formando ligas com níquel, e combinado com enxofre, sob a forma de troilite, um sulfureto de ferro afim da pirite, mas magnético, desconhecido na crosta terrestre. Contêm ainda outros minerais desconhecidos na Terra. Além destas espécies minerais são muitas as que estão identificadas na crosta terrestre, entre as quais cobre, ouro, diamante, grafite, quartzo, feldspatos, piroxenas, olivina e alguns sulfuretos.
            O estudo destes corpos extraterrestres levou à definição de três tipos fundamentais: os meteoritos líticos, essencialmente rochosos; os meteoritos férreos, formados, sobretudo, por ligas de ferro e níquel, a que se deu o nome de sideritos; e os meteoritos simultaneamente líticos e férreos, conhecidos por siderólitos.
            os meteoritos líticos, uns são formados por pequenas esférulas milimétricas, ou côndrulos, com olivina e piroxenas, ligados entre si por uma pasta predominantemente vítrea (amorfa); são os condritos. Outros têm uma textura granular e ausência dos citados côndrulos e, por isso, referidos como acondritos. As proporções entre os elementos químicos presentes nos condritos são as mesmas que se encontram no Sol, o que aponta para o seu carácter primitivo como amostras solidificadas da nébula solar em arrefecimento, sendo os côndrulos interpretados como condensados de gotículas dessa matéria primordial remanescente e em rotação em torno do Sol recém-nascido. Tendo passado por uma fase de fusão e vaporização, essas gotículas arrefeceram e solidificaram, como pequenas esferas, a temperaturas próximas dos 1200 oC. Os condritos são, assim, considerados corpos indiferenciados. São testemunhos inalterados dos primeiros corpos sólidos gerados em torno do Sol.
A esta fase seguiu-se a acreção dos planetas e dos asteróides que nos acompanham no Sistema Solar. Destes, os suficientemente massivos, com mais de 500 km de diâmetro, diferenciaram-se, à semelhança da Terra, com a formação de uma zona central, ferro-niquélica, uma zona externa, na qual foram geradas as rochas a que pertencem os acondritos, e uma zona intermédia propícia à coexistência de ferro-níquel e material rochoso. Nesta concepção, largamente aceite pela comunidade científica, acondritos, siderólitos e sideritos são considerados meteoritos diferenciados, oriundos, respectivamente, das zonas central, externa e intermédia desses corpos e, portanto, mais recentes do que os condritos. Após fragmentação desses asteróides mais volumosos, na sequência de eventuais megacolisões, os seus restos vagueiam no espaço e, sempre que se aproximam da Terra o suficiente para ficarem submetidos ao seu campo gravítico, caem, passando a chamar-se meteoritos.
            Não chega a uma dezena o número de meteoritos caídos em Portugal e dos quais ficou registo. São eles:
            o meteorito da Tasquinha (Évora Monte, Alentejo), em 1796, com 4,8 kg;
            o meteorito de S. Julião (Ponte de Lima), um siderito achado em 1877, com 162 kg;
            o meteorito de Olivença (na fronteira com o Alentejo), um condrito caído em 1924;
            o meteorito de Vila verde da Raia (Chaves), um acondrito caído em 1925, com 2,9 kg;
            o meteorito do Monte das Fortes (Ferreira do Alentejo), um condrito caído em 1950, com 2,1 kg;
            o meteorito do Alandroal (Alentejo), um siderito caído em 1968, com 25,5 kg;
            o meteorito de Ourique (Palheiros, Alentejo), vários fragmentos de um condrito caído em 1998.
São conhecidos dois meteoritos interpretados como provenientes da superfície de Marte (o Shergotty, caído na Índia em 1865, e o Queen Alexandria, descoberto na Antártida em 1994) de onde terão sido arrancados por uma grande colisão com outro corpo sólido.


                   Galopim de Carvalho


segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

FRUIÇÃO




Pisco-ruivo vem banhar-se,
dia a dia, em meu jardim.
Sai da água a espanejar-se.
Volta à pia, rito sem fim.

É intenso o seu viver,
mas sem ares de frenesim.
Traz enlevo o seu prazer.
Belo exemplo, quanto a mim.

Nesta cena divertida,
mostra a ave, de certeza,
qual a chave do segredo:

O deixar fruir a vida,
ao sabor da natureza,
livremente, sem apego.


João d’Alcor

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

MEDIAÇÃO E VIOLÊNCIA NA ESCOLA

     



Um grupo de alunos, dois do 6º ano, sete do 5º e quatro do 4ºano, reuniram-se numa escola de Gagny, uma cidade situada a 10 Km a Este de Paris. Era um grupo heterogéneo mas unido, no propósito de combater a violência no ambiente escolar. Entre eles, um dizia-se precoce; um outro era considerado como agitador; um terceiro já tinha passado pelo conselho disciplinar; o quarto, uma rapariga assídua, uma outra considerada introvertida… Todos se apresentaram como voluntários para participar numa acção de formação, durante cinco meios-dias, podendo, então, tornarem-se mediadores dentro de suas escolas.
"O mediador é um elemento capaz de ouvir os outros mas com a capacidade de se manifestar antes de a tensão aumentar e, assim, de a anular” diz um jovem de 13 anos, integrante do grupo.
Ora uma das causas da violência na escola pode residir, desde logo, na família. A ausência de um pai ou a presença de um pai violento podem gerar comportamentos agressivos nas crianças e adolescentes e levá-los à violência, no meio escolar. Por outro lado, as discussões dentro do casal ou mesmo as agressões na presença dos filhos são contribuintes para a aquele tipo de violência. Acrescentem-se, ainda, uma situação económica deficiente ou um mau funcionamento da família.
Quando um adolescente tem como cena quotidiana em casa a violência, ele passa a interiorizá-la. E quando encontra oportunidades, ele pratica-a como instrumento de intimidação, não se auto-condenando.
Há, então, colegas que, estando dentro dos mecanismos que podem conduzir à violência, têm condições para intervir de forma construtiva de modo a abortar dada situação de violência, dentro ou fora da escola.
Perante os múltiplos casos de violência em ambiente escolar, valeria a pena formarem-se professores e psicólogos neste tipo de matérias e, depois, organizarem grupos de alunos, especialmente líderes, e com eles estruturarem-se estratégias de mediação escolar. Seria um caminho para fazer face a situações de violência na escola, intoleráveis nos dias de hoje.


                                         Mário Freire

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

A FUGA



Doce pomba mansa foge das pedradas
Que lá das trincheiras em lanças te atiram.
Surgem de repente, como as trovoadas
Porque são indignas nunca te atingiram.

Quando te molestam segue rumo ao vento
Quando te perseguem abre bem as asas.
Apruma o teu bico, sobe o andamento
Com teu voo certeiro a maldade arrasas.

Boa pomba mansa iça o teu voar!...
Não deixes as pedradas acertar
Na tua verdade. Tantos desconhecem

Que no teu condado só reina a pureza
A melhor virtude, a maior riqueza
E o teu abraço nem todos merecem!...

Aldina Cortes Gaspar 

In “PÂNTANO