terça-feira, 20 de outubro de 2015

UM DIÁLOGO...AMBIENTAL





Um diálogo imaginado, entre dois amigos do ambiente:

-Bom Dia, como estás?
-Estou bem, obrigado e tu?

-Também estou bem. Mas porque estás tão preocupado?
-Estou preocupado  por causa da crescente poluição ambiental.

-Sim, o nosso ambiente está em perigo, tem sido gravemente poluído.
-Tens toda a razão. O problema da poluição ambiental é sério e constitui um desafio quer para os seres humanos quer para os restantes animais.

-Que dizes acerca das suas consequências?
-As consequências são sérias, conduzem a um desequilíbrio ambiental e provocam desastres naturais.

-O aquecimento global resulta da poluição ambiental. Estás de acordo?
-Concordo e penso mesmo que contribuirá para a extinção de algumas espécies.

-Exactamente. Além disso o degelo e a subida do nível da água do mar serão consequência da poluição ambiental?
-Sim, com certeza; é também devido à poluição ambiental que estamos a sofrer de vários tipos doenças, nomeadamente doenças respiratórias graves.

-Mas que poderemos fazer para prevenir a poluição ambiental?
-Deveremos começar por alertar para os efeitos nocivos da poluição, incentivando o seu controlo através de práticas centradas na consciencialização, mudança de comportamento, desenvolvimento de competências e participação dos cidadãos.


É cada vez mais difícil manter uma qualidade de vida aceitável em muitas regiões. Por isso haverá que garantir padrões ambientais adequados através da estimulação da consciência ambiental centrada no exercício da cidadania.


                                           FNeves

sábado, 17 de outubro de 2015

OS PODERES NA FAMÍLIA E NA ESCOLA

                           



Na maior parte das instituições sejam elas a família, a escola, a empresa, existe uma relação de poder entre os elementos que as constituem. Na família essa relação pode assumir várias formas. Se há um poder de um dos elementos do casal que tudo decide, sem fazer participar o outro nas decisões, é natural que essa relação estiole e acabe por morrer. Se o poder do casal se diversifica e se compartilha, então esta união tem melhores condições para se manter e contribuir para a felicidade desse casal.
Há, também, relações de poder entre pais e filhos. Por que razão se diz hoje que muitos pais se demitem da sua função de educadores? Porque sobre eles se exerce um poder – o dos filhos – a que são incapazes de resistir. Para isso, é preciso saber dizer-lhes não. E tal significa que o não, para que possa ter eficácia e não ser mais um elemento perturbador da relação pais-filhos, seja proferido com convicção, com inteligência e com afectividade. Com convicção, de modo que não fiquem quaisquer dúvidas aos filhos de que o que é dito é para ser cumprido, dando-se, porém, alguma abertura a pequenos ajustamentos, perante as razões invocadas, no caso de filhos adolescentes. Com inteligência, de modo que se esclareçam as razões da negativa, que se dêem a conhecer os argumentos que levem à decisão tomada pelos pais. Com afectividade, de modo que as maneiras de apresentar a negação sejam serenas e cordatas.
Ora, de certo modo, as relações de poder dentro da família, são equivalentes aquelas que se passam dentro da escola e, muito especialmente, dentro da sala de aula.
Se uma criança ou adolescente está habituado a fazer aquilo que deseja dentro de casa, que lhe satisfaçam todos os seus caprichos, como é que se submeterá às regras da escola? O professor e a professora têm que ser, pois, em certa medida, pais dos seus alunos. Eles não podem dizer sim a certas solicitações inapropriadas, não devem permitir que a sala de aula se transforme em campo de futebol. Por outro lado, o seu poder tem que ser firme mas humanizado, adaptar-se às circunstâncias específicas e, sempre que possível, proporcionar a participação dos elementos que constituem a sua comunidade, na tomada das decisões. Administrar os poderes com sabedoria, quer na família, quer na escola, é contribuir para a harmonia de cada uma destas comunidades e auxiliar no desenvolvimento social e psicológico dos filhos e dos alunos.


                                                                     Mário Freire

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

FORMALIDADE






Ao pedirmos nós perdão
pelo tempo a alguém tomado,
prova é dada de atenção:
Não gostar de ser pesado.

Há contraste em quem abusa,
sem amostras de receio
e jamais então se escusa
de roubar o tempo alheio.

Traz opção a disjuntiva:
Vir a ser ou não formal,
mas difere no resultado.

Preceito há que nos cativa,
fica bem e é tão normal:
Respeitar; ser educado.

João d’Alcor


domingo, 11 de outubro de 2015

GOSTAR DE SABER, DEVER CÍVICO DE ESTUDAR E AUTO-ESTIMA




Toda a nossa vida é uma aprendizagem. Aprendemos cedo a levar a colher à boca, aprendemos a andar, a ler, a escrever e a recitar a tabuada, aprendemos a crescer, a viver em sociedade e, até, a envelhecer. Desde que nasce, a criança é uma “máquina de aprender”. Como nos animais superiores, brincar é, para esta etapa inicial do ser humano, a via natural de aprendizagem, quer por si próprio, observando o mundo à sua volta, quer através do que lhe seja ensinado.
Entra aqui o papel dos pais, mas todos sabemos como é comprovadamente baixo o nível cultural de uma grande parcela da população portuguesa e como é grande a sua iliteracia em muitos domínios dos conhecimentos ditos das ciências e das humanidades. Nesta realidade, cabe aos educadores do ensino pré-escolar e aos professores do básico (em especial) conduzir os infantis e juvenis entregues à sua responsabilidade a aprenderem a gostar de saber.
Terminada a licenciatura, em 1961, e sem qualquer preparação pedagógica para o ensino, comecei imediatamente a leccionar na antiga Secção de Mineralogia e Geologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, como segundo assistente, em aulas práticas. Nos últimos tempos de uma cristalografia essencialmente morfológica e geométrica, baseada nas medidas de ângulos entre as faces dos cristais, e no começo de uma outra cristalografia, dita estrutural, a penetrar no âmago da matéria cristalina e da física do estado sólido, fundamentada nos arranjos tridimensionais dos respectivos átomos, tive à minha responsabilidade as aulas práticas de Cristalografia e de Mineralogia, sob a orientação do titular da cadeira, então o Doutor Rodrigo Boto, um compêndio vivo nestas matérias. Com ele ganhei um gosto especial pelo estudo dos minerais, uma semente que guardei ao longo dos anos e que, mais tarde, deu os seus frutos nos vinte anos (1983-2003) em que tive a meu cargo o sector de Mineralogia e Geologia do Museu Nacional de História Natural da mesma Universidade. Só mais tarde, após o doutoramento, em 1968, me iniciei na regência de aulas teóricas. Os tempos eram outros e os jovens docentes eram preparados para prestar serviço na maioria das disciplinas da licenciatura. Da Cristalografia, Mineralogia e Petrologia, passando pela Geologia, Paleontologia e Geomorfologia, Estratigrafia e Geo-história, à Sedimentologia e Jazigos Minerais, quer em trabalhos práticos no laboratório e no campo, quer em aulas teóricas, em auditórios repletos de alunos, os docentes dos anos 60 e 70 eram conduzidos a uma visão ecléctica da sua área científica.
Um tal ecletismo estava bem patente nas modalidades de doutoramento e de agregação de então que, para além das respectivas dissertações, incluíam provas teóricas e práticas incidindo sobre a totalidade das disciplinas da respectiva área. Como hoje, a par da investigação científica, o docente da minha geração criava a sua própria pedagogia. Definia os conteúdos das suas cadeiras, regia-as a seu modo e, no final do ano, examinava os seus próprios alunos.
Ao iniciar funções docentes e, como disse, sem qualquer formação pedagógica, era minha convicção, que confirmei ao longo dos anos, que aprender a gostar de saber, qualquer que seja o nível no sistema educacional, é uma das chaves que abre o caminho ao sucesso escolar. Os profissionais de ensino têm de ter artes (por vocação própria ou porque para tal foram ensinados) de levar os educandos, a gostarem das matérias que têm, por dever, transmitir-lhes, a terem prazer no convívio com ele e, assim, sentirem a escola como algo importante nas suas vidas. Mas há outras chaves para o referido sucesso a considerar, sobretudo, face aos alunos mais crescidos, nomeadamente, nos ensino secundário e universitário, que também a experiência me ensinou. Uma é conseguir inculcar nele a consciência do dever cívico de estudar, levando-os a tomarem consciência do privilégio que tinham de usufruir da condição de estudante numa sociedade onde milhares de jovens permaneciam privados dela. A outra chave não menos importante é estimular-lhe a autoestima. Fundamental no binómio ensino/aprendizagem, compete, em grande parte, ao docente conduzir o aluno nesses três sentidos. Quaisquer que sejam as matérias em causa ou os níveis de escolaridade e etário do discente, estas chaves fazem dele alguém que que tem gosto em aprender, que frequenta a escola com prazer, que encara o estudo como um dever de cidadania e tem brio na sua condição de estudante. Para tal, o professor tem de conseguir estabelecer com o aluno uma aproximação de confiança e afectividade mútuas que lhe permita actuar, com êxito, nestas vertentes. Foi assim, durante quarenta anos, a minha relação com os muitos milhares de alunos com quem troquei saberes e afectos.
Essa tripla condição, que está ausente num número infelizmente muito grande dos rapazes e raparigas das nossas escolas, pudemos imaginá-la, por exemplo, nos alunos ucranianos que, na viragem do século, aqui chegaram com os pais, aquando das primeiras vagas de imigrantes vindos de um país onde esses valores, devo concluir, são uma realidade.
Numa época em que os estudantes universitários faltavam muito às aulas teóricas, aulas que, em alguns casos, eram perfeitamente substituíveis pela correspondente sebenta (hoje, felizmente, em vias de desaparição), a grande maioria dos meus alunos assistia às minhas aulas do primeiro ao último dia. Isto porque o relacionamento que estabeleci com eles foi sempre de cordialidade, simpatia e afecto, pautado por respeito mutuo e pelo trabalho que fazíamos em conjunto. O facto de, frequentemente, sairmos para o campo, em trabalho inerente à nossa licenciatura, comendo o farnel em conjunto, sentados no chão, foi sempre um elemento potenciador dessa aproximação.
Por razões diversas, umas conhecidas, outras não, é frequente numa qualquer turma haver um, dois ou mais alunos menos motivados e visivelmente desinteressados das matérias em apresentação. Face a esses, logo identificados nas primeiras aulas, adoptei uma estratégia que quase sempre se mostrou eficaz. Dava-lhes mais atenção, procurando estabelecer com eles um relacionamento de simpatia, que não era difícil transformar em amizade, e lhes tornava agradável o convívio comigo na sala de aula. Colocava-lhes problemas simples, ajudando-os, se necessário, a resolvê-los sem que se dessem conta dessa ajuda. Posto isto, elogiava-os na presença dos colegas, dava-lhes consideração e tratamento que acabava por os estimular a estudar e, assim, continuarem a merecer essa consideração. O resultado deste procedimento foi, quase sempre, ganharem autoestima e gosto pelas matérias em estudo que, como é por demais sabido, são sempre interessantes e, até, bonitas para quem as conhece.


                                                       Galopim de Carvalho

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

SE QUERES IR RÁPIDO VAI SOZINHO, SE QUERES IR LONGE VAI ACOMPANHADO!




As relações interpessoais são um dos pilares mais importantes para uma vida feliz. Uma vida feita em conjunto com os outros ganha mais sentido, pois enriquece consideravelmente a experiência vivida. Se queres ir rápido vai sozinho, se queres ir longe vai acompanhado, diz um provérbio africano. De facto, as vivências têm sabores diferentes consoante caminhamos sozinhos ou acompanhados. Se queremos uma vida rica e intensa do ponto de vista humano em termos de afetos, de aprendizagens, de partilhas, o importante não é ir rápido, mas sim longe, o mais longe possível. Ir rápido implica focar-se numa meta e querer chegar lá depressa, independentemente do ritmo dos outros; ir longe significa que a meta não é o mais importante, mas sim o caminho. E pelo caminho encontramos tudo o que precisamos para um percurso de crescimento humano, de desenvolvimento pessoal, de exploração de todo o nosso potencial para fazer frente às tempestades e às bonanças que naturalmente existem. Se queremos atravessá-las rápido talvez não consigamos captar o seu propósito no nosso percurso; se queremos chegar longe, tentamos integrá-las e com elas crescermos. Chegar longe requer o cuidado de olhar para os que estão à nossa volta e de deixarmos que olhem para nós. No olhar recíproco está o reconhecimento e a valorização de uma relação.
Se conseguíssemos olhar para as pessoas com um olhar de quem não está à espera de nada e de quem não se sente obrigado a dar nada, cada gesto seria sentido com infinita gratidão e maravilha. Deixaríamos que o encanto das relações, a genuinidade do dar e receber, a autenticidade de se ser quem se é, aflorasse a cada momento de interação. Dar simplesmente porque sim, porque nos faz bem, porque é inevitável quando se é feliz. Permitir-se receber porque se merece, porque nos faz sentir importantes, porque valoriza a nossa existência. E neste dar e receber faz-se uma caminhada juntos, onde ninguém vai mais à frente nem mais atrás, mas sim lado a lado, porque é juntos que chegaremos longe, o mais longe possível. Porém, só é possível ir lado a lado quando ninguém se puxa, se empurra, se pendura, quando ninguém exige, pressiona, chantageia; só é possível ir lado a lado quando cada um caminha por si próprio, na alegria de não estar sozinho.
Rossana Appolloni


segunda-feira, 5 de outubro de 2015

À HORA DA SESTA





Demoro-me na janela.
Todos os traços
Que me embriagam os olhos
Emprestam às cores
Um tom impressionista.
As sombras são vidradas.
Como que aprisionados
 Pela sensualidade
Dois pássaros emergem
Enlaçados convergem
No tapete da tarde.
Há painéis de canções
Colares de margaridas.
E, no momento da sedução
Até as flores ficam coradas
Quando avistam as borboletas!...
  


Aldina Cortes Gaspar

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

ECOLOGIA HUMANA



Os seres humanos são considerados como sistemas vivos operando em ambientes complexos; contudo, ainda não os conhecemos suficientemente bem de modo a podermos controlar, por exemplo, os seus comportamentos nocivos para a sociedade. Considera-se que eles são sujeitos a processos ecológicos e evolutivos, semelhantes aos das restantes espécies. Não será, porém, de esquecer o carácter único do comportamento dos seres humanos.
A Ecologia Humana pretende explicar o comportamento humano. Nessa perspectiva, estuda as interacções entre os seres humanos e o ambiente que os rodeia sob os pontos de vista evolutivo, histórico e socio-político, entre outros; pretende-se compreender melhor a diversidade e complexidade de tais interacções de modo a tentar explicar as crises sociais e, desse modo, promover um futuro sustentável.
Os conceitos e métodos partilhados com as ciências biológicas, são importantes na compreensão do comportamento humano. Esta ideia resulta das teorias pioneiras de Malthus e de Darwin, dedicadas ao estudo do comportamento das populações. Por exemplo, os humanos não podem viver isolados da natureza que os envolve, desenvolvendo competências de acordo com o meio em que vivem. Essas competências, variam no tempo e de lugar para lugar e poderão influenciar a densidade populacional e mesmo a organização social.
A Ecologia Humana, partilha também os conceitos da biologia das populações. A selecção natural, depende do ambiente em que vivem os indivíduos: o sucesso num ambiente pode não se repetir noutro ambiente diferente. Também os indivíduos interagem uns com os outros e com o ambiente que os rodeia, dando origem à correspondente adaptação. Esta é a ideia de selecção natural em que, uns sobrevivem e se reproduzem melhor que outros.
A recente Encíclica do Papa Francisco traduz bem a importância da Ecologia Humana; o ser humano é considerado como peça chave do ambiente que, por sua vez, é encarado não só como um conjunto de factores físicos, químicos e bióticos mas também como um agregado de condições culturais e sociais que condicionam a vida dum individuo ou duma comunidade.

                                                   FNeves