segunda-feira, 13 de julho de 2015

FESTA






Acontece a quem quer festa
tantas voltas ter a dar,
que o próprio suor da testa
nem há tempo p’ra limpar.

Dispensá-la, isso não;
nunca a causa foi perdida:
É a boa reinação
o que traz sabor à vida.

Festas d’anos, de colheitas,
casamento ou romaria
aos santinhos do altar,

todas elas, contas feitas,
irradiam a alegria:

Vale a pena festejar.

João d'Alcor

sábado, 11 de julho de 2015

TRANSFORMAR A ESCOLA

                            

As tecnologias de informação e comunicação (TIC) são hoje uma realidade nas escolas. Na verdade, não faz sentido o aluno, através do seu telemóvel, tablet ou computador, estar constantemente em contacto com o mundo, aceder aos mais variados assuntos, utilizar as múltiplas funcionalidades dos mesmos, fora da escola e esta não fazer uso destes recursos de uma maneira educacional. A questão que se coloca é esta: em que medida o uso destes equipamentos pode proporcionar um novo modelo de ensino e de aprendizagem?
Ora, na Bélgica, no âmbito da União Europeia e nos Estados Unidos surgiram já laboratórios que tentam suscitar as mudanças que estas tecnologias proporcionam. A associação European Schoolnet, criada pelos ministros da Educação da U.E., procura encorajar as escolas a optimizar as TIC. Esta associação tem vários projectos em curso, em diferentes campos, todos eles, porém, tentando encontrar novas formas de aprender e de ensinar.
A título exemplificativo, indica-se um projecto que está em desenvolvimento, o Creative Classrooms Lab e que pretende responder, entre outras, à questão: será que investir em programas de computador se torna eficiente e tem sentido quando está a assistir-se à entrada em massa, no mercado, dos tablets? Que conselhos dar às escolas que pretendam adquirir esses tipos de equipamentos?
Por outro lado, no Future Classroom Lab, ainda no European Schoolnet, procuram encontrar-se novas maneiras de gerir os espaços na sala de aula em que a sala tradicional dá lugar a um espaço aberto com cinco zonas adaptadas às actividades de recolha de informação, seu tratamento, comunicação, divulgação e debate e produção multimédia.
Por sua vez, no projecto TEAL, no MIT, em Boston, nas salas existem várias mesas redondas, todas equipadas com computadores, ficando o professor no centro da sala, como recurso, enquanto que os estudantes trabalham em grupo e se ensinam uns aos outros.
A transformação da escola é uma exigência da sociedade! Mário Freire
Ora, na Bélgica, no âmbito da União Europeia e nos Estados Unidos surgiram já laboratórios que tentam suscitar as mudanças que estas tecnologias proporcionam. A associação European Schoolnet, criada pelos ministros da Educação da U.E., procura encorajar as escolas a optimizar as TIC. Esta associação tem vários projectos em curso, em diferentes campos, todos eles, porém, tentando encontrar novas formas de aprender e de ensinar.
A título exemplificativo, indica-se um projecto que está em desenvolvimento, o Creative Classrooms Lab e que pretende responder, entre outras, à questão: será que investir em programas de computador se torna eficiente e tem sentido quando está a assistir-se à entrada em massa, no mercado, dos tablets? Que conselhos dar às escolas que pretendam adquirir esses tipos de equipamentos?
Por outro lado, no Future Classroom Lab, ainda no European Schoolnet, procuram encontrar-se novas maneiras de gerir os espaços na sala de aula em que a sala tradicional dá lugar a um espaço aberto com cinco zonas adaptadas às actividades de recolha de informação, seu tratamento, comunicação, divulgação e debate e produção multimédia.
Por sua vez, no projecto TEAL, no MIT, em Boston, nas salas existem várias mesas redondas, todas equipadas com computadores, ficando o professor no centro da sala, como recurso, enquanto que os estudantes trabalham em grupo e se ensinam uns aos outros.

A transformação da escola é uma exigência da sociedade!

                                         Mário Freire

quinta-feira, 9 de julho de 2015

GAIVOTAS





Gaivotas em bando esvoaçam na praia.

Lenços brancos de seda, acenando ao voar.

Pedaços de neve na luz que desmaia

São velas acesas, à noite, no mar.

 

Gaivotas sem rumo paradas na margem.

Murmúrios velados que turvam o olhar.

Parece-me, ao vê-las, ser uma miragem.

Desejo de um sonho que tarda em chegar.

 

Parecem bandeiras quando abrem as asas.

Parecem crianças, de noite, a pintar

Seus sonhos de Paz no silêncio das casas

No azul do céu ou no verde do mar.

 

Só quero que nenhuma esvoace à deriva

Se o vento do Norte trouxer temporal.

Que nem uma gaivota, lá fique cativa!

Que sejam meninas de crescer, namorar.

 

Se alguém vislumbrar uma asa ferida

No sonho ou na rede d´ algum pescador

Que defenda, num brado, eterna guarida

Libertando as gaivotas, num gesto de Amor!...



Aldina Cortes Gaspar

“ IN PEDAÇOS”





terça-feira, 7 de julho de 2015

DE ESPANHA, NEM BOM VENTO NEM… BOA ÁGUA

         

            O planeamento dos recursos hídricos é cada vez mais importante, pois a pressão sobre a água vem aumentando devido a um consumo cada vez maior; isso poderá explicar-se tanto pela melhoria das condições de vida das populações, como pelo desenvolvimento dos sistemas de captação e distribuição de água.
            Em Portugal é possível que venha a registar-se falta de água; a que chega nos rios internacionais (Minho, Lima, Douro, Tejo e Guadiana), com forte dependência, face a Espanha, terá menor qualidade. É o que estima o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar.
            O Rio Tejo, que é o mais extenso da Península Ibérica, com aproximadamente 1000 km de extensão, nasce na Serra de Albarracin (Espanha) e desagua em Lisboa. Em Portugal, detém a maior das bacias hidrográficas. De ano para ano, o caudal do rio Tejo vai diminuindo e a água vai correndo cada vez mais poluída.
            As barragens, permitem a transferência de reservas hídricas entre diferentes bacias hidrográficas – transvases. A opção pelos transvases poderá ter implicações negativas como, por exemplo, a redução do escoamento a jusante do transvase e as perdas de água devido à maior evaporação e infiltração.
            Para agravar a situação, a Espanha está a construir um novo transvase de alimentação do rio Guadiana a partir do rio Tejo. De lembrar que nos anos 90, foi possível atravessar o rio Guadiana a pé enxuto, a montante da antiga fábrica da Portucel em Mourão.
             As águas que chegarão, por aquela via, a Portugal vindas de Espanha serão as águas residuais de milhões de madrilenos sem a adequada depuração, que entram no Tejo através do rio Jarama. A isto, haverá que acrescentar o efeito da poluição gerada pela indústria e agricultura intensiva espanholas.
            Existem diversas organizações, que reúnem entidades portuguesas e espanholas empenhadas na defesa dos rios; pretendem uma grande mobilização dos cidadãos da bacia do Tejo "em defesa de uma gestão razoável, sustentável, transparente e participativa da bacia hidrográfica do Tejo". Reclama-se o cumprimento da Directiva Quadro da Água junto da Comunidade Europeia, assegurando, designadamente, os caudais ecológicos. São preocupantes as alterações nos ecossistemas, face ao aumento da temperatura que resulta dos baixos caudais com efeitos nefastos na pesca, gastronomia e economia locais.
            Por sua vez, o Douro, outro importante rio internacional é, por vezes, referido como “um rio de extremos”, que corre com fúria no Inverno, mas abranda durante o Verão. No Inverno, “levamos” com a água toda, mas no Verão estamos sempre à espera que Espanha solte a água armazenada nas barragens de Ricobayo ou Almendra. Esta última, situada no rio Tormes, afluente do Douro, é um dos maiores empreendimentos hidroeléctricos da Europa e o exemplo do controlo que Espanha exerce sobre o rio Douro.
            Para Portugal, a regulamentação e o cumprimento das normas comunitárias e da convenção Luso – Espanhola, assumem pois a maior importância, pois que aflui ao território português água vinda de Espanha de importância fundamental para a economia do país. Só deste modo poderá assegurar-se a disponibilidade de água em quantidade suficiente e de boa qualidade, tanto para nós como para as gerações futuras.

                                                  FNeves



domingo, 5 de julho de 2015

À HORA DA SESTA



Demoro-me na janela.
Todos os traços
Que me embriagam os olhos
Emprestam às cores
Um tom impressionista.
As sombras são vidradas.
Como que aprisionados
 Pela sensualidade
Dois pássaros emergem
Enlaçados convergem
No tapete da tarde.
Há painéis de canções
Colares de margaridas.
E, no momento da sedução
Até as flores ficam coradas
Quando avistam as borboletas!...



Aldina Cortes Gaspar

sexta-feira, 3 de julho de 2015

OS CUSTOS DE UMA REPROVAÇÃO

     
                   
Foi emitida no passado mês de Fevereiro, pelo Conselho Nacional de Educação, uma recomendação, tendo em vista um conjunto de medidas ao nível da administração central, escolas, alunos e famílias, que combata a retenção escolar. Esta recomendação baseia-se na constatação de existirem mais de 150 000 alunos que, todos os anos, ficam retidos no mesmo ano de escolaridade mas que tal realidade em nada melhora o desempenho escolar desses mesmos alunos. Pelo contrário, tais alunos apresentam um maior risco de uma nova reprovação. São estes alunos que, nas aulas, evidenciam maior desmotivação e, consequentemente, uma maior propensão para a indisciplina.
O que se pretende com a retenção de um aluno num ano de escolaridade? Que ele fique mais motivado para o estudo quando vê os seus colegas transitarem de ano? Que as estratégias de ensino irão alterar-se no ano seguinte, de modo a proporcionar-lhe um maior empenhamento no estudo? Que irá ter matérias mais adequadas ao seu nível de desenvolvimento? Ora, nada disso acontece. Os conteúdos dos programas continuam os mesmos e as estratégias de ensino pouco irão modificar-se. O que, certamente, se alterará é a autoestima do aluno, levando-o a convencer-se que o insucesso faz parte da sua vida.    
O aluno ficar retido num ano, principalmente nos dois primeiros ciclos do básico, não significa maior exigência no ensino. O que significa é não haver mecanismos de personalização do ensino que atendam às dificuldades de determinado aluno, que lhe dê mais tempo, que o incentive nos seus pequenos êxitos no estudo, que com ele se procurem novas maneiras de aprender.
A passagem de ano de alunos com baixo rendimento escolar, principalmente nos dois primeiros ciclos do básico, exige uma atenção especial por parte do poder político, proporcionando meios e pessoas capazes de fazerem face ao insucesso escolar. E se este for adequadamente combatido, muito se poupará em indisciplina, abandono escolar, delinquência e criminalidade.

                               Mário Freire





               

quarta-feira, 1 de julho de 2015

FERMENTO



Simples naco de crescente
envolvido com a massa,
alor tem que a perpassa
e leveda suavemente.

Quem diria que o fermento
tem em si um tal poder...
Ele a aquece e faz crescer,
insuflando o próprio alento.

Pronta ela a ser tendida,
vai ao forno e sai cozida,
pão quentinho. Que sabor...

Se há fermento garantido
qual à vida traz sentido,
é por certo o do amor.

João d'Alcor