segunda-feira, 29 de junho de 2015

CRISTAIS E MINERAIS


                                                             
                                       quartzo

Os minerais estão no nosso quotidiano. Nas pedras das calçadas, na areia com que se faz o vidro, nas matérias-primas de todos os metais que nos asseguram a sociedade industrial, nas jóias de quem as pode usar e no sal de que nós, portugueses, abusamos.
Todos falamos de minerais com base num conhecimento vulgar, empírico, ligado à experiência do dia-a-dia. Minas, minérios e mineiros fazem parte do vocabulário popular por razões óbvias ligadas a um vasto e velho sector primário da economia. Não há sítio onde não se fale de minas, nem que seja de minas de água. Mina, nome que recebemos através do francês mine, significa escavação na terra e parece radicar na cultura céltica, vivida por um povo ao qual se deve a metalurgia do ferro.
Por mineral entende-se um corpo sólido, inorgânico, natural, de composição química variável dentro de limites bem estabelecidos, caracterizado por uma disposição geométrica dos seus átomos, segundo redes tridimensionais, próprias de cada espécie. Diz-se, então que os minerais têm estrutura cristalina.
Desde a Antiguidade e até, pelo menos, ao século XVIII, acreditou-se que os cristais de quartzo hialino, isto é, incolor e transparente, eram ocorrências de água no estado sólido, num grau de congelação tão intenso que era impossível fazê-los voltar ao estado líquido.

Aristóteles (384-322 a. C.) chamava cristal ao gelo (krystallos, em grego) e foi sob este nome que esta espécie mineral passou aos domínios da alquimia, primeiro, e da mineralogia, depois. Um seu aluno, Theophrastus (372-287 a. C.), distinguia o cristal-água (o gelo) do cristal-pedra (o quartzo hialino). Os romanos mantiveram este entendimento, latinizando o nome para cristallus, como se pode ler num dos 38 volumes da “História Natural”, de Plínio, o Velho, (23-79 d. C.).
Foi o carácter transparente e incolor do cristal-pedra que acabou por dar o nome ao vidro industrial de alta qualidade, a que hoje chamamos simplesmente cristal. A expressão cristal-de-rocha, aplicada ao quartzo hialino, surgiu muito mais tarde (no séc. XIX) para distinguir o mineral do produto manufacturado. A palavra cristal acabou, depois, por se generalizar aos corpos poliédricos minerais ou orgânicos, naturais e artificiais, tendo sido, por isso, usada como étimo do nome da disciplina que os estuda – a Cristalografia – afirmada como ciência no início do século XIX com René-Just Haüy, em França.
Minerais e cristais são, pois, duas realidades indissociáveis. Por tradição, o conceito de cristal implicava o carácter poliédrico (facetado) do sólido, fosse ele uma substância mineral ou orgânica, natural ou produzida artificialmente. Tal concepção foi abandonada a partir do momento em que se tornou conhecida a estrutura íntima, à escala atómica, dos corpos no estado sólido. Assim, cristal é hoje entendido como uma porção uniforme de matéria cristalina, matéria que, como se disse atrás, é caracterizada por uma disposição geométrica dos seus átomos, segundo redes tridimensionais, próprias de cada espécie. Um tal arranjo geométrico é posto em evidência, entre outras manifestações, pelas faces do cristal. Mas nem sempre a matéria cristalina se manifesta com a configuração de um cristal, no sentido vulgar do termo, isto é, no de um corpo poliédrico, total ou parcialmente limitado por faces planas. Um grão de quartzo, no seio do granito ou solto e na areia da praia, não tem forma poliédrica, mas é matéria cristalina.
Com a mesma composição química do quartzo, a opala, uma variedade de sílica amorfa, isto é, não cristalina. Amorfo é também o vidro vulcânico, principal constituinte de rochas como a pedra-pomes ou a obsidiana.
Ainda que cristalinas, não são consideradas minerais as substâncias inorgânicas produzidas artificialmente e as orgânicas, sejam elas naturais ou artificiais. Hoje em dia, são muitos os chamados sintéticos, isto é, substâncias química e estruturalmente semelhantes a determinadas espécies minerais, produzidas (sintetizadas) em laboratório e/ou industrialmente. O quartzo o diamante, e muitas outras gemas sintéticas não são, pois, minerais. A sua produção com fins tecnológicos, gemológicos ou outros, é hoje uma rotina
A Mineralogia é a ciência que estuda os minerais, nela se separando uma Mineralogia Pura, interessada nos aspectos científicos fundamentais, do saber pelo saber, e uma Mineralogia Aplicada, visando a utilização dos minerais como matérias-primas nas mais variadas indústrias e utilizações. Vinda da Antiguidade, com destaque para as civilizações chinesa, babilónica, hindu e egípcia, através da tradição e dos textos eruditos dos clássicos gregos e latinos, recuperados pelos árabes, a Mineralogia percorreu a Idade Média de mãos dadas com a Alquimia, tendo aí crescido, deixando para trás muitas das concepções fantasiosas e místicas dos escolásticos. A Mineralogia afirmou-se e desenvolveu-se como Ciência, juntamente com a Química, ao longo dos séculos XVIII e XIX, fazendo-a progredir e tirando dela o essencial do seu desenvolvimento com acentuada organização sistemática.
A Mineralogia fez nascer, deu corpo e aprofundou uma nova disciplina científica, de cariz geométrico e matemático - a Cristalografia Morfológica - que usou como complemento até às primeiras décadas do século XX. Alargou-se, depois, ainda mais, com a Cristaloquímica, numa abordagem à organização espacial das redes cristalinas em função da natureza dos elementos químicos que as constituem para, a partir daí, se irmanar com a Física do Estado Sólido, com recurso às modernas tecnologias de análise. A Mineralogia acompanha hoje o caminho da Cristalografia Estrutural, nova disciplina de âmbito alargado a todos os sólidos cristalinos, sejam eles inorgânicos ou orgânicos, naturais e artificiais ou sintéticos.

            Galopim de Carvalho


sábado, 27 de junho de 2015

A GOTA D'ÁGUA







Uma gota d’água fresca, luzidia
Caiu sobre a vastidão da natureza.
Uma lágrima de fada, ela parecia.
Nem aos deuses coube, assim, tanta beleza.

Caem gotas, muitas gotas, podes vê-las
P’la vidraça da janela sem abrires.
Brilham como diamantes, como estrelas.
Todas juntas vão lavar o arco - íris.

Caem bruscas, as catraias das gotinhas!...
Cai a chuva picadinha lá do céu.
Ansiosas, as esperam, as meninas
P’ra com elas salpicar o seu chapéu.

As gotas diluídas na corrente
Vão encher todo o rio até à foz.
Põe-se o sol com mais cor, lá no poente
E a vida vibra mais dentro de nós!...

No cair de uma chuvada há melodia.
Após, cada tempestade, surge a bonança.
Fica a Terra inundada de poesia
De baladas, fantasias e esperança!...

Aldina Cortes Gaspar









quinta-feira, 25 de junho de 2015

APRENDER A APRENDER

                                        


Os alunos, muitas vezes, usam estratégias erradas na sua aprendizagem que não lhes permitem retirar todo o potencial das suas capacidades. Assim, se o aluno não planeia o estudo das diferentes matérias, dando mais tempo àquelas em que tenha maiores dificuldades, sem descurar as outras, se não distingue o que é urgente do que é importante, se não estabelece os seus próprios objectivos de aprendizagem, se não avalia a sua própria aprendizagem…, arrisca-se a que os seus resultados escolares não sejam os melhores.
A escola deveria proporcionar-lhe, então, informação adequada, organizar encontros à margem das aulas ou inseridas nas mesmas, de modo a ensinar-lhe a planear as suas actividades, sejam elas escolares ou não escolares mas, também, modos de melhorar o estudo que realizam. Um dos aspectos que deveria ser considerado teria a ver com as actividades a desenvolver durante os dias de aulas e aquelas que teriam lugar nos fins-de-semana.
Relativamente ao estudo, haveria que discriminar o que é que se vai estudar e até onde se vai estudar. Exemplificando, o aluno estabeleceria que no dia de hoje, iria dedicar-se às disciplinas X e Y. Para a disciplina X estudaria, tomando como referência o compêndio, da página A até à página D. Esse estudo, se possível, deveria ser feito no quarto, sozinho, falando em voz alta. Avaliaria, depois, se a aprendizagem tinha sido efectiva, se tinha conseguido reproduzir por palavras suas aquilo que estudou. Para a disciplina Y, poderia estabelecer, caso se tratasse de Matemática ou outra disciplina afim, os exercícios que iria resolver. Enfim, definir objectivos para o estudo (mas, também, para qualquer outra actividade na vida) torna-se crucial para se alcançar a meta desejada.
Quanto ao modo de aproveitar os fins-de-semana, neles não teria lugar o estudo, principalmente o daquelas disciplinas que estão em atraso? Não poderia o aluno, igualmente, participar em outras actividades, sem ligação com o estudo, como o escutismo, encontros de jovens sobre temas a definir por paróquias, associações culturais, desportivas…?

Julgo que esta área, de ensinar o aluno a aprender e a organizar-se, está pouco explorada na escola mas a qual, devidamente planeada, poderia melhorar a realização do aluno como estudante e como pessoa. 

                                                 Mário Freire

terça-feira, 23 de junho de 2015

FELICIDADE







No almejar o próprio bem
nada há que censurar.
Condição há nele, porém:
Ir além; extravasar.

Só num mundo sem Omelas,
como a lenda bem nos diz,
as pessoas, todas elas,
provas dão de um ar feliz.

Tal estado, na verdade,
cabe a todos.  Que ninguém
se apodere da patente.

Haverá Felicidade,
na medida em que esse bem
é extenso a toda  a gente.


João d’Alcor

domingo, 21 de junho de 2015

ANO INTERNACIONAL DOS SOLOS







                                        Bio-rexistasia

Numa concepção do solo como um fenómeno geológico, introduzida pelo geólogo americano Cutis Fletcher Marbut (1863-1935), o geógrafo francês Henri Herhart (1898-1982) publicou, em 1956, uma interessante e original teoria “La genèse des sols en tant que phénomène géologique: Esquisse d'une théorie géologique et géochimique, biostasie et rhexistasie”, com uma segunda edição na Masson, Paris, em 1967.
Segundo o autor francês, certas regiões do globo estiveram ou estão numa situação que referiu por biostasia, (do grego bios, vida, e státis, estabilidade) isto é, uma situação de equilíbrio biomorfológico, expresso principalmente por uma muito vasta e densa cobertura vegetal, de longa duração e estável. Tal acontece porque, durante períodos muito longos, não se verificaram variações sensíveis das condições ambientais sob as quais essa cobertura se desenvolveu, situação exemplificada pela actual floresta quente-húmida amazónica. O equilíbrio biológico próprio deste tipo de cobertura vegetal protege o solo da erosão mecânica, mas é favorável à alteração química em profundidade e subsequente evacuação dos materiais solubilizáveis. O período biostásico é sempre um intervalo de tempo longo, à escala geológica, e de pedogénese intensa. Por seu lado, rexistasia (do grego rhexis, rotura, e státis, estabilidade) refere, ao contrário, um tempo muito mais curto, caracterizado pela rotura daquele equilíbrio e consequente destruição da cobertura vegetal, com exposição do solo à erosão mecânica. As causas desta interrupção são geralmente devidas a mudanças climáticas, mais ou menos acentuadas e bruscas, quer no sentido do arrefecimento, quer no da elevação da temperatura, acompanhada de secura, conduzindo à desertificação.
Durante os longos períodos biostásicos, a manutenção de condições de humidade e de temperatura relativamente elevadas e estáveis, associadas à exuberância da cobertura vegetal dela dependente, conduzem a intensa alteração das rochas e a profunda evolução dos solos, proporcionando, contudo, acentuada protecção destes materiais, face aos agentes de erosão mecânica. Praticamente, só os produtos solúveis resultantes da decomposição são mobilizados e arrastados pelas águas de infiltração, no trabalho de lavagem que exercem ao atravessá-las antes de atingirem os cursos de água. Neste contexto, poderá falar-se de erosão química.
Com efeito, ricos de substâncias químicas em solução (iões como Ca2+, Mg2+, K+, Na+, CO3H-, CO2-, PO4H2-, SO42-, etc., e moléculas como SiO2) os rios promovem o seu transporte até aos locais de sedimentação, onde esta se processa por mera precipitação química destas substâncias ou através da acção de seres vivos que, previamente, as incorporam na construção dos seus esqueletos, isto é, por via bioquimiogénica. Em síntese e por outras palavras, diremos que, no que se refere à sedimentogénese em períodos de biostasia, a sedimentação terrígena é reduzida, ao contrário da sedimentação química e/ou bioquímica. O material terrígeno resultante da alteração neste tipo de ambiente e que tinge a água dos rios é, predominantemente argiloso, impregnado de óxidos de ferro.

Nos períodos de desnudação da cobertura vegetal, resultante das crises rexistásicas, a floresta deixa de proteger a superfície do solo que, em consequência do período anterior, está profundamente alterado e, portanto, facilmente atacável pela erosão. Os materiais postos em jogo no transporte e sedimentação subsequentes são essencialmente detríticos e reflectem, na parte inferior das séries sedimentares que alimentam, os produtos da capa de alteração (a primeira a ser erodida) e, na parte superior, os materiais não alterados do substrato desnudado, sujeito, sobretudo, a desagregação e erosão mecânicas. O período rexistásico é um período de morfogénese intensa, não necessariamente longo, e a ele se associam escassez de sedimentação química e/ou bioquímica, em contraste com a grande importância de sedimentação detrítica, muitas vezes de carácter torrencial bem marcado e sempre revelador de maior ou menor imaturidade.

            A dialéctica biostasia versus rexistasia, tal como a concebeu Ehrart, reforçou a dimensão geológica dos solos, na medida em que estes são também testemunhos das paisagens continentais suas contemporâneas, quer nos aspectos físicos (relevo, clima) quer biológicos, em particular, a vegetação. Os constituintes minerais do solo (areia, argila) ficam, muitas vezes, com marcas características dos ambientes a que estão submetidos. O mesmo acontece com os solos do passado, e as marcas que levaram consigo, na sequência da erosão, acabaram por transitar para as rochas sedimentares detríticas, hoje patentes em sequências estratigráficas nas quais, como nas páginas de um livro, as procuramos ler e interpretar.

                               Galopim de Carvalho

quinta-feira, 18 de junho de 2015

CARTA AO ALENTEJO








 - Meu Alentejo, aqui me tens!...
Como uma vaga no mar alto da planície
Que, na lonjura cresce e, por detrás de uma colina, desaparece. Como uma ave que se lança de um penedo
para, num ápice, se esconder por entre o arvoredo.
 Trago brisa, trago vento, semeio afetos e rosas
 e, também, pinto a doçura nas asas das borboletas.
 Venero a saia rodada, o avental de folhos que nos bolsos tem bordados raminhos de violetas.
Trago seiva, trago pão, trago a força da semente.
Canto a verdade da terra, o vigor da sua gente.
 Às papoilas dou a mão, beijo o trigo e vou contente.
 Eu que sonhava ser nuvem, ser seara, ser ribeira
 Dou comigo, a escrever versos;
 versos que cheiram a feno, a piorno, a esteva, à giesteira
e aos sargaços que rebentam à sombra da pedreneira.
Venho do nascer do sol, venho dos lados da aurora
onde mora o girassol.
 Bebo as estrofes nas fontes, resguardo-as da ventania.
Que, por graça ou zombaria, racha as esquinas dos montes.
Trago sonhos e poetas!...
Trago versos cheios de “Muito” numa Poesia de “Nada”
em quintilhas, em sonetos, oitavas, sextilhas, quadras.
Trago rimas coloridas em palavras desbotadas;
mais os anseios do meu Povo, a rasgar as madrugadas.
Às vezes, apanho do chão um ”punhadinho” de Terra.
Aperto-o na minha mão, delicia-me o seu cheiro.
Tão genuíno e lavado como a água do ribeiro.
… Não sei o que habita em mim, p´ra lá de mim.
Não sei o que me esconde o meu olhar.
Sei que em manhãs de maresia, se m´invade a nostalgia
caminho p´lo Alentejo Adentro e dou comigo a chorar.
SEI que sou, como diz Florbela Espanca:

“Sou filha da charneca erma e selvagem
 Os giestais por entre os romaninhos
 Abrindo os meus olhos d´oiro p´los caminhos
 Da minh´alma ardente são a imagem.”

Sei tão pouco ou quase “NADA”. Acreditem!... Quanto mais os anos vão passando, mais me dou conta desse meu saber tão escasso no respeitante à Cultura, ao Mundo e à Vida. Sei que a minha Terra é “pobre” mas, simultaneamente, ”muito rica”. Sei que nos consideram “simples e pequenos” mas, a verdade, é que aspiramos a ser grandiosos. Como diz F. Pessoa – Alberto Caeiro: “Não somos do tamanho da altura que temos mas, sim, do tamanho daquilo que vemos”.
Apesar de estar consciente da dificuldade de tão arrojada caminhada, tenho para mim que o Futuro se constrói hoje e, a Estória, essa, se escreve ou reescreve todos os dias. Sei que o meu Alentejo é um jardim – um imenso jardim - repleto de Estória e de tradição; uma amálgama de cores, de verdes e de flores, prados multicores, sonhos e convição. Lembro Vergílio Ferreira que tanto amou o Alentejo e bastante o exaltou, especialmente, no livro “APARIÇÃO”. Atrevo-me a pegar nas suas palavras, tentando adaptá-las:
…“O Alentejo, também, é um dos lugares onde a história se fez jardim. No Alentejo, não se morre, passa-se vivo para o outro lado, porque a morte se torna impossível no vigor da beleza.  “
É minha intenção não esquecer José Régio, Grande Poeta e alentejano convicto. Cito :
                  Alentejo,
                  Meu chão, meu monte, meu vale
                  De folhas, flores, frutos d´oiro
                  Vê se vês terras d´Espanha, areias de Portugal
                  Olhar ceguinho de choro.
.......…………………………………………………………………………………………..
Aqui me tens, meu Alentejo!... Com a minha Poesia. Não para aplausos ou honrarias pois, neste âmbito, julgo enquadrar-me no pensamento prodigioso de F. Pessoa, cito: “- Ser Poeta não é uma ambição, minha. É, apenas, a minha forma de estar sozinho.”
 Aqui, estou. De olhos postos no Futuro mas, nunca alheada do passado - do meu passado igual ou parecido a tantos outros - do teu passado, Alentejo, o qual, nunca deixaremos que se apague e, cujo eco, faremos perpetuar p´los séculos fora. Hoje, sabemos que é preciso viver o tempo de “AGORA” embora, em nós, esteja sempre guardado um tempo de “OUTRORA”. Aprendi com os Homens e Mulheres da minha Terra que só as raízes nos permitem a construção de uma identidade forte, de um percurso intenso que nos convida a transbordar de emoções e de afetos. Quando as raízes se perdem ou não se alicerçam fica, apenas, o rasto, o traço, a linha. Uma mera soma de circunstâncias que o virar do tempo poderá, ou não, contabilizar para os registos da história. No arame da vida, da vida singular de cada um, permanecemos, por vezes, perdidos e agastados, sem rumo e sem norte - como os “malteses” - até nos reencontrarmos e acharmos “palheiro enxuto”. Pelo caminho do imediato é que se atinge o futuro. É preciso é saber que a legitimidade do sonho só tem por fronteiras os limites do Homem. Importa, é acreditar que o porvir passará pelas estradas que soubermos desbravar e construir. Importa, ainda, não esquecer que a inércia ou lentidão na ação poderá ameaçar ou travar o avanço dos tempos vindouros. Por isso, temos pressa: Monforte, Santo aleixo, Portalegre, Évora, o Guadiana são, apenas, marcas na soma dos caminhos já percorridos. Mas, iremos mais longe!.. Até onde o sonho, o empenho e a coragem nos levar. Por mim, irei até onde a vida, a saúde e a Poesia me deixar ir e Deus quiser. Se o que escrevo soará ou vingará, pouco me interessa. Digo como Edson Athayde:
 “Se não houver fruto valeu a tentativa da flor;
Se não houver flor valeu a existência da árvore;
Se não houver árvore valeu a intenção da semente.”
É contigo e, só contigo, que quero ficar meu Alentejo. Para te louvar, para te bendizer. Contigo e com “as gentes” da minha Terra tentarei abrir as portas do Futuro. Onde estiverem os nossos antepassados que se orgulhem de nós e da forma como nos direcionamos rumo ao TRABALHO, à PAZ e à dignificação da VIDA.


Aldina Cortes Gaspar


Lançamento do livro ALENTEJO ADENTRO

Edição: Câmara Municipal de Monforte (31/Maio/2015)

terça-feira, 16 de junho de 2015

ENSINO ATRAVÉS DOS PARES

                                    



Numa turma nem todos os alunos progridem da mesma maneira. Há alunos que têm um ritmo mais lento na aprendizagem do que outros. Isto não significa que eles não consigam alcançar os objectivos pretendidos. Talvez necessitem de mais tempo para aprender ou de uma outra forma de serem ensinados.
Com uma reorganização diferente dos espaços dentro da sala de aula, com um ensino menos centrado no professor, podem encontrar-se outras formas de ensinar e de aprender. Uma delas seria o ensino através dos pares. Este consiste em colocar alunos que dominem suficientemente bem dada matéria a ajudar os seus colegas que estão a ter dificuldades em aprender ou a realizar determinada tarefa. Nem sempre serão os mesmos a ajudar nem os mesmos a serem ajudados. Este ensino pode surgir após uma avaliação formativa, isto é, aquela que assegura que os processos de ensino se vão adequando às características dos alunos. Nela o professor pode detectar certos deficits em alguns alunos e verificar que outros atingiram plenamente os objectivos que se pretendiam. Por que razão, então, não colocar esses alunos que melhores performances obtiveram nesse tópico, a ensinar os colegas que demonstraram ter maiores dificuldades? Já Séneca dizia “quem ensina aprende duas vezes”. Ora este tipo de tarefas permite aos alunos responsáveis por ajudar os colegas desenvolverem o sentido de cooperação e de entreajuda, ao mesmo tempo que consolidam as matérias ensinadas. Aos alunos que estão a ser ensinados pelos colegas permite-lhes terem uma ajuda personalizada através de uma linguagem mais próxima deles. Aos professores, este tipo de aula possibilita prestar uma ajuda diferenciada e simultânea a vários alunos, ao mesmo tempo que lhes dá a oportunidade de intervir junto de casos que exijam uma maior atenção.
É preciso inovar na escola e na sala de aula! Este tipo de ensino, ocasionalmente aplicado, pode contribuir para o melhoramento da aprendizagem e retirar muitos dos casos de indisciplina que na sala têm lugar.


                                 Mário Freire