sábado, 13 de dezembro de 2014

OS PAIS SEPARADOS E A ESCOLA




Quantas crianças e adolescentes filhos de pais separados frequentam, nos dias de hoje, a escola? Quantas destas crianças e adolescentes podem contar com a participação de ambos os pais na sua educação? As respostas a estas perguntas talvez pudessem ajudar a compreender melhor uma realidade que está a assumir grande relevo na sociedade portuguesa a qual não pode passar à margem das preocupações da escola, na sua relação com a comunidade.
Pretende-se, actualmente, que a escola seja resposta para muitos dos problemas da sociedade e que, directamente, não têm a ver com as tarefas de ensino e de aprendizagem, tais como a alimentação, segurança, apoio social, apoio psicológico... Mas esses problemas são fortes condicionadores daquelas mesmas tarefas de ensino e de aprendizagem! 
 Ora, uma das questões que tem subjacente um desses problemas é a seguinte: será que os pais, pelo facto de estarem separados, deixam de ser pais? Os dados de observação corrente permitem afirmar que, em regra, há uma desigualdade, nos papéis dos progenitores que se encontram separados, nas tarefas de educação dos filhos, sendo o pai, normalmente, o progenitor que mais sai prejudicado na participação nessas tarefas.
Se os filhos, crianças ou adolescentes, têm um pai e uma mãe, estes, apesar das diferenças que os dividiram, dos conflitos que viveram, têm que estar conscientes de que o bem daqueles exige que eles dialoguem, pelo menos, nos assuntos que aos seus filhos diz respeito. Se a criança ou adolescente sentir que os pais, apesar de separados, mantêm um diálogo sobre os seus problemas, lhes dão orientações que não são divergentes mas, antes, concordantes, isso proporcionar-lhe-á maior confiança em si próprio, um sentimento de segurança e de tranquilidade que o ajudará nas suas relações com os outros e no seu rendimento escolar.
Os pais, apesar de estarem separados, devem constituir-se sempre em apoios dos filhos e, em caso algum, usarem estes como armas de arremesso ou de vingança. Tal só iria contribuir para fazer dos filhos pessoas inseguras, temerosas, instáveis, agressivas e…bastante infelizes.


                                                                   Mário Freire

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

ÊXITO





Muito há que, em nossa vida,
se afigura cego impasse,
tendo, porém, o desenlace,
em senha antes escondida.

D’ empecilho para à saída,
vale a fé. -  Ao ser tamanha,
tendo em frente uma montanha,
a faz plana, rebatida.

Servir pode de escabelo
uma pedra em que tropeço:
Antes estorvo e após auxílio.

Crer no que há de bom e belo
eis a chave do sucesso
                           e a saída do exílio.

                           João d'Alcor

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

AS ESCOLHAS DE UM CURSO E O FUTURO PROFISSIONAL

                       

Foi publicado um estudo em 2013, pela OCDE, sobre alguns aspectos da educação dos seus países membros. Ora, segundo esse trabalho, está a assistir-se a uma tendência nos jovens, na orientação dos seus estudos superiores, para as ciências sociais, incluindo nestas a economia, a gestão e o direito. Mais: esta tendência continuou a acentuar-se este ano. Em certos países, como na Indonésia, Rússia, México e Hungria, a percentagem de jovens de 18 anos a seguir estes ramos do conhecimento ultrapassa já os 40%!
Discriminando melhor esta grande área, verifica-se que dentro dela há distâncias abissais entre as suas componentes. Assim, os que desejam ir para gestor são em muitíssimo maior número dos que preferem ser sociólogo. Por outro lado, apenas 9% dos jovens ingressam nas chamadas ciências duras (Física, Matemática…). É certo, pelo menos no nosso País, que o ingresso num curso que conduza a uma carreira de investigação científica não tem futuro e muitos dos actuais cientistas encontram-se a trabalhar numa grande precariedade laboral que os está a remeter ou para o desemprego ou para a emigração ou para outras actividades. Nas Engenharias, que fazem a transição entre as ciências puras e as aplicadas, o panorama também não é muito animador, pelo menos em Portugal. Se entre os países da OCDE há 15% de jovens que ingressam num curso de engenharia, em Portugal o desinteresse foi tal que 45 cursos de engenharia ficaram vazios e muitos outros não obtiveram senão um número reduzido de alunos.

É cada vez mais frequente, por outro lado, encontrarem-se diplomados a trabalhar em áreas que não são as da sua formação. As competências de personalidade parecem rivalizar com a formação de base. Enfim, nos dias que correm, onde a imprevisibilidade nos toca amiudadamente, não é aos 18 anos que se estabelece o futuro profissional. Desenvolver, em simultâneo, conhecimentos e competências eis a tarefa que se coloca ao aluno do ensino superior. Depois…as circunstâncias da vida e a sabedoria ditarão o seu futuro.

                                                             Mário Freire

domingo, 7 de dezembro de 2014

LAGUNAS




                                        Ria de Aveiro

Para além dos estuários e dos deltas, as lagunas, representam um tipo de ambiente na interface terra-mar. Referidas também por bacias parálicas, são corpos de água, geralmente pouco profundos, parcialmente fechados ao mar por uma barreira que pode ser de areia (as mais comuns), recifal nos (litorais intertropicais) ou, mais raramente, rochosa. A comunicação com o mar, temporária ou permanente, é feita através de vaus que, no caso das barreiras arenosas, podem fechar e abrir ou migrar para um lado ou para outro. À semelhança dos estuários, muitas lagunas, entre elas, as do litoral português, evoluíram em relação com a transgressão flandriana2; resultaram da evolução de estuários que foram posteriormente fechados por cordões arenosos como, por exemplo, as lagoas de Santo André, Melides, Albufeira e Óbidos. O estuário do Sado ter-se-ia transformado numa laguna se a restinga de Tróia ou eventuais ilhas-barreiras lhe tivessem fechado a embocadura.




                          Lagoa de Santo André (Grândola)





                             Lagoa de Melides (Grândola)




                                  Lagoa de Óbidos.

A Ria de Aveiro é outra laguna que podemos definir como um vasto corpo de água confinado por longo cordão de areia, com a particularidade de conter no seu interior o delta do rio Vouga.



     Ria de Faro-Olhão (Ria Formosa) é um sistema complexo de ilhas-barreiras.



Ria é uma velha palavra portuguesa que significa esteiro ou grande rio, não havendo razão para desaconselhar o seu uso no caso português. Os nomes das nossas rias de Aveiro, Faro-Olhão e Alvor são muito anteriores ao sentido que foi atribuído e divulgado por Ferdinand von Richthofen, em 1886, ao termo ria, atribuído a um tipo de acidente geográfico que definiu como uma “penetração do mar em reentrâncias de encostas escarpadas”, como acontece no litoral da Galiza. Por influência deste prestigiado geógrafo alemão e seus continuadores, a Ria de Aveiro passou então a ser referida, por alguns autores, por Haff-delta ou, simplesmente, Haff, termo alemão que significa laguna, numa comparação com as alemãs no Mar Báltico.
Embora pequenas, são ainda lagunas a Ria de Alvor e a Barrinha de Esmoriz.

As lagunas podem ser de água salobra, salgada ou hipersalgada, consoante as quantidades relativas de água das chuvas e do rios e de água do mar que, de tempos a tempos, as invade. Se a temperatura for elevada e se não houver realimentação em água doce, o que é regra em regiões áridas, as lagunas funcionam como gigantescas salinas naturais, gerando rochas sedimentares classificadas como evaporitos (halite, gesso, anidrite, etc.). No Golfo Pérsico, com temperaturas diurnas na ordem dos 40 Cº e pluviosidade mínima (50 mm/ano), a salinidade da água do mar é de cerca de 47 g/L, valor que sobe, nas lagunas aí existentes, para 70 g/L.

Foram lagunas, em clima quente e seco, as retenções de água do mar, cujos vestígios nos ficaram nas camadas sedimentares da base do Jurássico (andar Hetangiano), referidas, entre nós, por “margas de Dagorda”. Com argilas vermelhas e, às vezes, esverdeadas, gesso e sal-gema, estas formações são bem o testemunho da existência de um “rosário” de lagunas hipersalinas, que marcaram uma primeira penetração das águas do mar ao longo de duas directrizes precursoras da rotura da Pangea e subsequente criação das nossas margens ocidental e meridional. As explorações de sal-gema de Matacães, Fonte da Bica (Rio Maior) e de Loulé e as de gesso, em Santana (Sesimbra), Óbidos ou Soure, representam um legado dessas paisagens de há cerca de 200 milhões de anos.

                                               Galopim de Carvalho

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

A FELICIDADE NA PUBLICIDADE





O tema da felicidade tornou-se frequente na publicidade contemporânea, tendo por consequência a eventual banalização e a redução do conceito de felicidade a níveis de ambígua superficialidade e, por vezes, como acontece em determinados anúncios, a níveis de pura manipulação das audiências. Várias são as campanhas de publicidade na televisão que procuram transmitir a ideia de que a felicidade é a coisa mais simples do mundo e que está ao nosso alcance sempre que consumimos um determinado produto. Para sermos felizes bastaria comprar com assiduidade o produto mágico da marca proposta no anúncio e a vida transformar-se-ia em estados eufóricos de publicidade.
Longe vão os tempos em que a publicidade comercial proporcionava algum carácter informativo. Com a crescente proliferação de produtos muito semelhantes disponíveis no mercado globalizado, a publicidade passou a concentrar-se na criação de imagens de marca. A marca passa a distinguir-se não só pela sua suposta qualidade e inovação, mas por criar uma imagem simbólica de prestígio que fideliza os consumidores e sugere estilos de vida com os quais as pessoas são persuadidas e identificar-se. A imagem de marca afirma uma identidade própria para o seu produto, mas também uma identidade ilusória para os respetivos clientes, que se sentem fazer parte de uma comunidade de valores repetidamente expostos como espetáculo nos meios de comunicação social.
Agora já não se trata de destacar as qualidades do produto nem sequer distinguir uma clientela particular, trata-se simplesmente do colar a marca a um conceito universal abtrato e, preferencialmente, a uma emoção positiva forte que obtenha a adesão do público. E que emoção mais universal, intemporal e convincente do que a celebração da felicidade associada ao consumo do produto? Mas cuidado, a felicidade está bem longe de ser um segredo que se conquista através da compra de um produto!

                                       Rossana Appolloni

                                 www.rossana-appolloni.pt

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

EXCEPÇÃO


 



Se excepção confirma a regra,
quanto ao bem, que pena faz:
É o mal, então, que medra;
surge a guerra e falta a paz.


Volvo à regra que, afinal,
bom pode ter ou mau sentido:
Bom, se raro é já o mal;
mau, sendo este o preferido.


Bom é irmos, em primeiro,
bem ao fundo da questão:
É diverso o mundo inteiro?


- Parecidos, sim ou não,
eis o dito mais certeiro:
Somos todos excepção.


João d’Alcor

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

A EMPREGABILIDADE JOVEM E O PROGRAMA ERASMUS



Para quem esteja menos familiarizado com temas ligados a este Programa, diria que ele visa, de um modo geral, o apoio ao intercâmbio de professores e alunos do ensino superior. Ele foi criado em 1987, reveste várias modalidades, mas a mobilidade é o seu grande lema. E foi com a mobilidade de alunos que ele ganhou grande visibilidade. O Programa permite que os alunos estudem noutro país membro da União Europeia ou Estado associado por um período de tempo de 3 a 12 meses.
Ora, foi publicado no passado dia 22 de Setembro um importante estudo da Comissão Europeia sobre este Programa o qual foi realizado em 2013, abrangeu 34 países e teve cerca de 80.000 interlocutores (alunos e antigos alunos, professores, estabelecimentos de ensino superior e empresas).
De entre as dezenas de gráficos que acompanham este trabalho, dando conta das múltiplas situações que decorrem da mobilidade dos alunos dos diferentes países, destacaria um tema, pela sua grande acuidade: a empregabilidade.
Foi verificada uma maior empregabilidade dos jovens que participaram neste Programa do que aqueles que não participaram. Por sua vez, 64% dos empregadores iriam considerar a experiência no estrangeiro como um dos factores importantes no recrutamento, enquanto que em 2006 só 37% a consideravam de relevo. O estudo considerou seis traços de personalidade que teriam importância para a empregabilidade: a tolerância à ambiguidade, a curiosidade, a confiança em si, a serenidade, a determinação e a capacidade para resolver problemas. Ora, mais de noventa por cento dos empregadores confirmou a importância destes traços. Foi possível, ainda, verificar, relativamente a estes traços de personalidade, que a média dos antigos alunos Erasmus atingiu valores superiores a 70 %, tendo em consideração o conjunto de todos os alunos.
Uma curiosidade: um milhão de bebés nasceram de pais que se encontraram no decurso do Erasmus, desde o seu início.


                                                  Mário Freire