terça-feira, 15 de julho de 2014

O PODER DA GRATIDÃO


Science of Happiness publicou um estudo para medir os níveis de felicidade antes e depois de um exercício específico para verificar até que ponto é que esse poderia influenciar os níveis de felicidade do sujeito. O exercício constava de escrever uma carta quem o sujeito sentia que mais o tinha influenciado na vida, exprimindo a sua gratidão. Numa segunda fase, tinha de telefonar à pessoa escolhida e ler a carta. Como resultado, verificou-se um aumento dos níveis de felicidade daqueles que se submeteram ao exercício, sobretudo dos que conseguiram completar o mesmo, ou seja, dos que, além da carta, comunicaram o conteúdo da mesma ao destinatário.
 O efeito mais inesperado foi para os sujeitos cujos níveis de felicidade se tinham demonstrado muito baixos antes do exercício, o que veio demonstrar que este exercício pode ser uma prática boa para quem está com níveis de tristeza elevados.
Independentemente dos testes que se fazem para tentar avaliar fatores que são dificilmente mensuráveis pela especificidade de cada um de nós, exprimir a gratidão pode efetivamente contribuir para a nossa felicidade. Trata-se de focarmos a atenção no que de bom há à nossa volta e que, muitas vezes, ao sermos tomados pelas preocupações e pelo stress da nossa vida, descuramos e não damos a devida importância. Costuma dizer-se que só damos valor às coisas quando não as temos.
Podemos então tentar fazer o contrário, ou seja, reconhecer o valor do que temos e exprimi-lo. Exprimir o que sentimos é extremamente importante, não apenas o recetor, mas sobretudo para o emissor. A comunicação verbal potencia as emoções e as emoções potenciam os sentimentos. Não é por acaso que é comum a dificuldade de dizer o que sentimos.
As emoções assustam-nos, pois não fomos educados para encararmos as emoções de forma positiva, mas vivê-las e dar-lhes espaço na nossa vida é fundamental para nos sentirmos mais vivos. Experimentemos e sintamos o resultado dentro de nós!

                                                        Rossana Appolloni
                                                                           www.rossana-appolloni.pt


domingo, 13 de julho de 2014

ENERGIA


Ao falarmos de energia,
evocamos um poder,
ao contrário da apatia
que parece tal não ter.

Desde um seixo, ao dom da fé,
bem se aplica o postulado:
Energia tudo é.
Mas, difere o seu estado...

Somos ela e nela imersos.
Muito embora bem diversos,
nos iguala onde há o amor.

Como mãe dos universos,
até nestes simples versos
ela exprime o seu vigor.


João d’Alcor

sexta-feira, 11 de julho de 2014

FUTEBOL, COMPETIÇÃO E VALORES


       Agora, que estamos a terminar a maré de futebol, talvez tenha interesse perguntar-nos qual a importância que é atribuída ao desporto no nosso sistema de ensino. Ele, pelo envolvimento global que proporciona aos alunos, bem pode constituir-se numa área do currículo em que os valores éticos estão constantemente a ser provados.
            Ora, valores são as razões que atribuímos às nossas escolhas, tornando-as preferíveis a outras. Nem todos têm as mesmas razões para fazerem determinada escolha. Por isso, nem todos têm os mesmos valores. De entre a multiplicidade de valores, vêm à cabeça os éticos, isto é, aqueles que têm a ver com as normas de comportamento que se implicam em todas as nossas actividades. De entre os critérios que presidem a estas normas encontram-se a lealdade, a verdade, a honestidade, a solidariedade, o esforço…
            Pus em primeiro lugar aqueles valores porque eles, sendo critérios fundamentais na avaliação das pessoas com quem nos relacionamos, são também critérios de avaliação das múltiplas situações que decorrem da prática desportiva. Ora, esta prática, assenta, fundamentalmente, na competição.
No mundo de hoje, em que a palavra competitividade faz parte do léxico quotidiano, saber competir é fundamental. Esta competição, porém, passa pelo esforço que cada um faz em superar as suas dificuldades. O treino e o esforço que nele é posto não são mais do que meios para superar essas dificuldades, sejam elas individuais e colectivas. Depois, há a competição entre pessoas ou entre grupos. E aí, todos aqueles valores da solidariedade, da lealdade, da verdade e da honestidade ganham relevo. Há, ainda, a vitória e a derrota. Qual o comportamento dos vencedores em relação a si próprios e em relação aos vencidos? E os vencidos, como encararam a derrota? São todas estas situações que ocorrem num jogo do Mundial que, talvez, possam ser aproveitadas pela escola e, depois, transportadas para a vida de todos os dias.


                                      Mário Freire

quarta-feira, 9 de julho de 2014

MENOS COISAS, MAIS FELICIDADE


Hoje em dia ocupamos três vezes mais espaço do que há trinta anos atrás. As nossas casas são maiores, os nossos carros são mais espaçosos, os nossos locais de trabalho são mais amplos, mais ainda assim procuramos mais espaço. Temos mais espaço disponível agora relativamente ao passado, mas o consumismo e a nossa tendência para acumular, leva-nos a precisar de ainda mais. Acumular traduz-nos, muitas vezes, em contrair dívidas pela vontade de comprar coisas novas, em prejudicar o ambiente e, porventura, em baixar o nível de felicidade. Este raciocínio faz-nos a acreditar que ter menos (em objetos) pode significar ter mais (em qualidade de vida).
Temos a oportunidade de experimentar situações em que vivemos com muito pouco, como é o caso de quando viajamos e levamos apenas o essencial para uns dias num hotel, num barco, ou simplesmente num campismo. Na verdade, poderíamos perfeitamente viver com o que transportamos para uma viagem, se calhar até com menos. Nestas alturas, a vida parece mais fácil, mais simples, e não é apenas porque estamos eventualmente de férias!
Como fazer então para criar espaço para o que é verdadeiramente importante? O designer Graham Hill propõe três tópicos:
1) Fazer uma escolha séria: desfazermo-nos do que não precisamos e controlar o que compramos, perguntando-nos sempre: será que preciso mesmo disto? Será que isto me vai proporcionar mais felicidade?
2) Pensar em função da utilidade dos objetos: será que preciso de um fogão de seis bicos quando só uso dois?
3) Arranjar soluções que nos ofereçam mais do que uma função. Um bom exercício que pode ser feito é perguntarmo-nos, quando entramos em casa, se poderíamos viver com menos coisas. Viver com menos, ter a coragem de nos desfazermos do que é antigo e inútil, é uma forma de dar espaço a coisas novas e úteis, que contribuam verdadeiramente para o nosso bem-estar.


                                       Rossana Appolloni

sábado, 5 de julho de 2014

ENCÓMIO



Maldizer é ultrajar
no humano a luz divina.
Bendizer vem ‘spevitar
nele a chama que ilumina.

Sem fictício galanteio,
vero encómio vem a ser
coração todo ele cheio
de atenção e bem querer.

 Junto à consideração,
expressar a nossa estima
é factor estimulante.

Aplaudir nunca é em vão,
 na medida em que isso anima

na virtude o ir avante.

João d'Alcor

quinta-feira, 3 de julho de 2014

SER PROFESSOR HOJE


        Num artigo publicado no passado mês de Maio no semanário francês L’Express, comentavam-se os resultados de dois inquéritos. Não sei se há grande legitimidade na transferência dos resultados desta inquirição para Portugal. De qualquer modo, perante a proximidade cultural entre os dois países e as situações similares de natureza familiar que se vivem, não tenho grande relutância em considerar que muitos destes resultados poderiam, igualmente, encontrar-se no nosso País.
Num desses inquéritos, realizado em meados do ano passado a 5.000 professores, 87% diziam-se mal considerados pela sociedade e 92% admitiam mesmo que os media os agredia. Já este ano, num outro inquérito abrangendo 15.000 professores, mais de 80% dos inquiridos afirmaram que a opinião pública não compreendia o seu trabalho e cerca de metade sentia-se incompreendida pelo ambiente que a rodeia.
Existe, pois, um sentimento dominante entre a classe docente francesa de que é desconsiderada. Infelizmente, em Portugal, temos, igualmente, casos bastantes de desconsideração dos professores quer por parte do Estado, quer por parte de alguma população e de que certos pais são os primeiros a dar o testemunho. Para esta última realidade muito contribuiu a democratização da escola e, com ela, um acesso generalizado de alunos, oriundos de todas as classes sociais, a uma maior escolarização. Se este facto é um bem, ele nem sempre foi traduzido em acompanhamento e empenhamento dos pais no trabalho escolar dos seus filhos. Para muitos daqueles, mais importante do que os filhos aprendam é que estes transitem de ano. E, claro está, quando as classificações não agradam aos alunos, estes têm sempre maneiras de as justificar junto dos pais, pondo o ónus nos professores.

            Este sentimento de desconsideração social, que tem correspondência em comportamentos de indisciplina quer da parte de alguns alunos, quer da parte de alguns pais para com os professores, poderá atenuar-se com um diálogo, nem sempre conseguido mas que tem que ser procurado, da escola com a família, tentando mostrar aos pais que os fins que ambas as instituições perseguem não se opõem mas, antes, se complementam.   

                                                           Mário Freire

terça-feira, 1 de julho de 2014

SOL, O OURO DO ALENTEJO


Portugal tem vindo, nos últimos anos, a desenvolver uma política de incremento das energias renováveis. No momento de crise económica profunda que se verifica em Portugal, em que a sustentabilidade do ambiente se encontra ameaçada importa, mais do que nunca, criar um espaço de reflexão em que os especialistas em ciências do ambiente se possam pronunciar.
As centrais fotovoltaicas representam um marco histórico na aposta de Portugal em avançar para um modelo energético sustentável que refreie as mudanças climáticas. Aproveitam, para tal, recursos endógenos e renováveis, contribuindo para o desenvolvimento e o emprego a nível local, em particular no âmbito rural.
No Alentejo, foram construídas duas instalações fotovoltaicas: uma na Amareleja e outra em Serpa.
A Central Solar Fotovoltaica de Amareleja, com 46 megawatt, é dotada de um sistema de orientação dos painéis solares. Ocupando uma superfície de 250 hectares, é constituída por mais de 2.500 estruturas programadas para acompanhar automaticamente a trajectória do sol sobre o horizonte em cada dia do ano e, desse modo, optimizar a produção de energia. A produção está estimada em 93 milhões de quilowatt hora/ano. Num ano, poderão pois satisfazer o consumo de 30.000 lares evitando-se, desse modo, o lançamento para a atmosfera de 89.373 toneladas de emissões de CO2. Isso corresponderia a retirar de circulação aproximadamente 40.000 veículos e a um efeito depurativo (para a atmosfera) de 4,5 milhões de árvores. Em termos económicos, reduz as importações de petróleo em, aproximadamente, 55.000 barris que custam a Portugal cerca de 4 milhões de euros.
 A sua construção envolveu acções de compensação ambiental, tais como plantação de azinheiras e melhoramento das linhas de água.
A Central Solar Fotovoltaica de Serpa, mais modesta, foi implantada numa área de 60 hectares, dos quais 32 estão cobertos por 52 mil painéis fotovoltaicos; dispõe de uma capacidade instalada de 11 megawatt.
A energia solar é uma excelente fonte de energia renovável, extremamente competitiva, sobretudo em países como Portugal que regista uma média de duas a três mil horas de sol por ano. Apesar de requerer algum investimento para a sua instalação, acaba por ser vantajoso a médio e longo prazo, uma vez que proporciona grande poupança energética e económica. Apresenta a vantagem acrescida, de ser uma energia com ausência de poluição muito significativa.

                                                      FNeves