domingo, 29 de junho de 2014

A IMPORTÂNCIA DO AFETO FÍSICO


Independentemente de sermos pessoas mais carinhosas ou menos, estudos recentes demonstram que a troca de afeto físico entre casais torna a relação mais próxima e mais forte. Foi cientificamente demonstrado que abraçar, dar as mãos e tocar na outra pessoa aumenta os níveis de oxítona, a hormona responsável pela redução da dor e pela sensação de calma e de conforto. Esta hormona produz-se durante o orgasmo sexual, mas também através de carícias. Além de aumentar os níveis de oxítona, a troca de carinho também diminui a tensão arterial, bem como os níveis de stress. Se por um lado afeta positivamente o nosso corpo em termos orgânicos, a presença de afeto físico na relação afeta igualmente a nossa mente e a nossa postura perante a vida.
As pessoas com mais afeto aparentam uma autoestima e autoconfiança superiores, pelo que criam um impacto mais agradável nos outros. Em geral, o mesmo estudo demonstra que os casais românticos, quanto mais estão satisfeitos com a relação, mais o demonstram fisicamente um ao outro, e quanto mais o demonstram, mais se sentem satisfeitos na relação. Trata-se de um circulo vicioso saudável que se autoalimenta.
A troca de afeto tem repercussões não apenas no momento, mas estende-se ao longo do tempo. Quem vive momentos de contacto físico prazeroso, mais facilmente apresenta sintomas de boa disposição nos dias seguintes.
Apesar de ser mais do que inequívoco que a troca de afeto traz benefícios, isto não significa que devemos começar a abraçar e a trocar afeto com qualquer pessoa. Estes benefícios fazem-se sentir em contextos de proximidade, de relações mais chegadas, caso contrário pode até causar stress e ansiedade. Com pessoas do nosso círculo de intimidade, o contacto físico aumenta a qualidade da relação, bem como a saúde física e o bem-estar mental.

                                                   Rossana Appolloni



sexta-feira, 27 de junho de 2014

TANZANITE, A "PEDRA PRECIOSA DO SÉCULO XX"


Variedade gemológica do mineral  zoizite (sorossilicato de alumínio e cálcio, do grupo do epídoto), de cor variável entre o azul, o lilás e o acastanhado, a tanzanite foi descoberta, em 1967, pelo goês Manuel de Sousa (1913-1969), nos Montes Merelani, no norte da Tanzânia (antiga Tanganica), muito perto do vulcão Kilimanjaro.
Tida por gema muito rara (só é conhecida naquele local), de muita beleza e de grande valor, caracteriza-se, essencialmente pelo tricroísmo azul, lilás e acastanhado. A cor azul forte evidencia-se sob luz fluorescente, ao passo que a cor lilás é mais marcada sob iluminação incandescente.
De dureza 6,5 a 7, na escala de Mohs (relativamente baixa, no contexto das gemas), é mais frágil e menos durável que rubis, safiras e diamantes. Assim, deve ser usada com precaução.


A identificação desta gema como uma variedade de zoizite foi atribuída a Ian McCloud, do Serviço Geológico da Tanzânia, em Dodoma, confirmada pelo GIA (Gemological Institute of America).
O nome tanzanite foi proposto pela joalharia Tiffany & Co, de Nova Iorque, tendo em consideração o país de origem desta variedade, desde logo promovida à categoria de “pedra preciosa do século XX”.
A maior tanzanite em bruto conhecida pesava 3,38 kg e a maior lapidada tem 252,2 quilates.
De 1967 a 1971, data da nacionalização desta  exploração pelo governo da Tanzânia, foram dali retirados cerca de dois milhões de quilates de tanzanite. A grande maioria das tanzanites mineradas surge em tons de castanho. Assim, é necessário proceder a um aquecimento, a cerca de 400 ºC, para lhe dar a famosa cor lilás, numa prática conhecida e entendida como normal nos mercados.


                                          Galopim de Carvalho

quarta-feira, 25 de junho de 2014

ENCENAÇÃO


Dar à vida, em cada cena,
bom ou mau enquadramento
‘stá pendente do talento.
Tê-lo em conta vale a pena.

Um cenário adequado
 não é obra do acaso.
Pede engenho, dando ele azo
ao efeito apropriado.

Assim é que a encenação,
tendo em conta cada evento,
tudo reveste de seu condão.

Seja ela concebida,
em perfeita adequação,
qual honor prestado à vida.


João d’Alcor

segunda-feira, 23 de junho de 2014

CIENTISTAS DE PALMO E MEIO


        Teve lugar nos passados dias 8, 9 e 10 de Maio o IX Congresso Nacional de Cientistas em Acção, no Centro de Ciência Viva de Estremoz. Este Congresso teve a finalidade de incentivar os alunos do Básico e do Secundário a interessarem-se pela Ciência, a formularem os seus projectos, individualmente ou em equipa, a testá-los experimentalmente, retirando as suas conclusões e, finalmente, a apresentá-los perante um júri de cientistas.
Cada trabalho apresentado tinha já sido convenientemente tratado com os alunos e seu professor e era este que, mais ou menos à distância, consoante a idade dos seus pupilos, ali estava a dar a tranquilidade que as crianças ou adolescentes necessitavam.
            Foi interessante ver, por exemplo, crianças com 6 anos, perante um júri de pessoas que elas desconheciam, demonstrarem que nem todas as substâncias são solúveis na água ou que há umas que se dissolvem mais facilmente do que outras. E, depois, confrontarem-se com as suas hesitações, com alguns percalços, não planeados, mas surgidos durante as experiências. E, depois ainda, tentarem responder às perguntas dos “arguentes”, sobre aspectos das suas demonstrações.
            De salientar, o modo afável como o júri de dirigia aos participantes, a linguagem simples que utilizava para que eles pudessem entender o que tinha corrido bem e menos bem, as observações que lhes eram feitas, chamando-lhes a atenção para as contingências do que é fazer ciência e para a aprendizagem que se colhe dos erros que são cometidos.
            O cientista tem em vista tentar dar respostas a questões em relação às quais não se encontrou, ainda, uma explicação aceitável. A verdade, em ciência, é sempre provisória pois, em qualquer momento, pode ocorrer uma explicação melhor que irá substituir a resposta já dada. A provisoriedade é algo que, também, poderia aplicar-se à nossa vida. Uma excepção apenas, em minha opinião: o relativismo moral. O bem não pode depender de modas, de circunstâncias ou da interpretação que cada um lhe queira dar.

                                                             Mário Freire

sábado, 21 de junho de 2014

AS PESSOAS PRÓXIMAS FAZEM PARTE DE NÓS


Segundo um estudo feito pelo psicólogo James Coan em agosto de 2013, a nossa identidade estrutura-se bastante à volta de quem conhecemos e das pessoas com quem entramos em empatia. O estudo feito monitorizava pessoas que observavam outras a receberem tratamentos de eletrochoque. Como resultado, verificou-se que a atividade cerebral era completamente diferente caso se observasse um desconhecido, ou alguém próximo. Até aqui parece tudo normal e óbvio, mas o mais interessante é que a reatividade do observador era basicamente idêntica ao comportamento cerebral da pessoa chegada que estava a receber o tratamento. Este resultado vem demonstrar que a forte ligação emocional entre as pessoas implica uma espécie de “fusão” uns com os outros.
As relações afetivas tornam-nos mais empáticos na medida em que aumentamos a nossa capacidade de nos colocarmos na pele do outro, de compreendermos a dor ou as dificuldades por que o outro está a passar, como se fôssemos nós próprios a vivê-las. Assim, as pessoas que nos são afetivamente mais chegadas tornam-se parte de nós e tudo o que sentem, pensam e dizem tem impacto sobre o nosso ser.
Esta leitura traduz-se num elo emocional intenso em que o nosso bem-estar também depende do bem-estar dos outros, pelo que a nossa capacidade de contribuir para um bem-estar mais alargado e de estimular nas outras pessoas opções que se repercutem na sua felicidade tem um retorno positivo sobre nós.
Portanto, condicionar os outros (filhos, marido/mulher, pais, irmãos, colegas, etc.) e encaminhá-los para escolhas que, aparentemente, nos agradam a nós acaba por não ser uma boa opção, pois sentir a outra pessoa insatisfeita e infeliz vai provocar o mesmo estado de ânimo dentro de nós. Se os outros são como uma extensão nossa, a melhor forma de nos sentirmos bem é ajudar a outra pessoa a realizar os seus sonhos como se fossem nossos e não impor-lhes os nossos como se fossem delas.

                Rossana Appolloni


quinta-feira, 19 de junho de 2014

DA PRÉ-HISTÓRIA PARA A CIÊNCIA MODERNA (3)


As regularidades anteriores inevitavelmente terão desenvolvido alguma actividade de natureza simbólica que as exprime quer com os seus benefícios quer com as suas ansiedades. E, naturalmente, a repetição deste simbolismo vai desencadear certamente uma actividade ritual que parece encontrar expressão nos recintos (cromeleques), circulares ou em forma de ferradura, que nessa época também foram construídos.
Não temos escritos que nos descrevam esses eventuais rituais, e muito menos os saltos epistemológicos que a mente humana poderá ter dado nessa altura. Porém se a necessidade de enterramento dos mortos fez parte desta premência simbólica e ritual, não nos admiraremos de verificar que a grande maioria das antas se encontre implantada com a sua abertura, e muitas vezes com o corredor que lhe dá acesso, virados a nascente. Mas, se designarmos por “nascente” aquela porção do horizonte onde o sol nasce, entre o seu limite mais a norte (solstício de verão) e o seu limite mais a sul (solstício de inverno) o que é interessante é que se constata que a referida orientação das antas não se distribui uniformemente entre esses dois limites, mas antes mostra uma clara preferência por uma direcção intermédia, grosso-modo a meia distância entre esses dois limites*, próximo do que hoje associamos com os equinócios, em particular com o início da Primavera. Claro que há sempre um pequeno número de exemplos de antas que não seguem esta regra mas estimamos que não excedem 5% do total.
Certamente que os homens e mulheres do período megalítico não eram astrónomos mas, no seu convívio diário com esse mundo inatingível - embora presente porque observável, e real porque interferia no seu próprio território - tiveram oportunidade de o observar detalhadamente e sensibilizar-se para os seus ritmos e suas consequências. Muito naturalmente esta observação empírica dos astros, esta forma rudimentar de astronomia, em particular do sol e da lua, neste e noutros locais, e também noutras civilizações, ao longo de alguns milénios, terá sido importante para o aparecimento de ideias expressas de forma simbólica nas escritas antigas. Na Babilónia aparecem, como simples registos de dados e de observações, incluindo repetições de ocorrências que vão permitir previsões (por ex. de eclipses), e abrir assim o caminho para a estruturação de um corpo de conhecimento que virá a dar o que hoje chamamos Astronomia. Evidência dessa evolução vamos encontrar nos gregos que já no primeiro milénio AC detinham elaborados conceitos astronómicos que lhes permitiam por ex. estimar o raio da Terra. A partir daí a História conta-nos como se evoluiu até à Astronomia de hoje. Mas o registo histórico fala-nos de uma continuidade de rituais associados às celebrações do início da primavera.
*in  Revista Portuguesa de Arqueologia, vol.10, nº 2, 2007, p35-74


                                     C. Marciano da Silva

terça-feira, 17 de junho de 2014

ALTERAÇÃO DAS ROCHAS



Do ponto de vista prático, pode afirmar-se que não haveria solo, nem plantas, nem animais, sobre as terras emersas, se não houvesse alteração das rochas.
A alteração das rochas é um dos ramos mais importantes da geologia. Com efeito, a sedimentologia, a geomorfologia, a geologia económica e aplicada, a pedologia, a prospecção geoquímica, a geologia do ambiente, a engenharia, entre outras, fazem constantemente apelo aos conhecimentos relativos a esta parte do ciclo geoquímico da litosfera.
Os conhecimentos de que hoje dispomos, quanto aos processos e produtos de alteração nos diferentes ambientes morfoclimáticos, permite inferir, por idênticos raciocínios, condições geológicas passadas através do estudo dos sedimentos onde tais produtos ficaram arquivados. Os sedimentos não são mais do que depósitos correlativos de determinadas situações geográficas, susceptíveis de guardarem os testemunhos que as permitem reconstituir, preocupação que representa o aspecto mais importante da sedimentologia.
No campo da geologia económica e aplicada, a alteração das rochas tem papel de relevo, por exemplo, na prospecção de matérias-primas argilosas, tão importantes para a indústria cerâmica, entre outras menos visíveis (papel, borracha). O perfeito conhecimento do estado de alteração ou da susceptibilidade de certas rochas usadas como pedra de construção, é outro aspecto do interesse deste ramo das geociências.
As grandes obras de engenharia, como são as construções das barragens, pontes, estradas e, mesmo, as urbanas, não dispensam, para efeito de fundações, o recurso ao conhecimento do tipo e grau de alteração das rochas do substrato. Outro tanto se poderá dizer em relação aos trabalhos de preservação do relevo, no tocante às formas naturais ameaçadas, em que é necessário lutar contra a erosão das terras e o deslize das vertentes.
A hidrogeologia é outro ramo da geologia aplicada que encontra nos fenómenos de meteorização muitas das respostas inerentes aos seus objectivos.
Estamos habituados a considerar as rochas como qualquer coisa de definitivo, mas, na realidade, elas nascem, vivem, envelhecem, degradam-se.... Ao fazer esta afirmação, o geoquímico russo M. Chaskolskaia (1959) põe em evidência a extrema lentidão do processo natural de alteração das rochas, só abarcável na imensidade do tempo geológico.
Mesmo antes da exposição aos agentes externos, na sequência de fenómenos que as fazem ascender e, subsequentemente, aflorar, as rochas geradas em profundidade, ou seja, as rochas endógenas (ígneas e metamórficas) sofrem alteração.

                 Sobre a rocha meteorizada, o solo é o suporte da vegetação, base da cadeia alimentar

Alteração meteórica ou meteorização
Como os nomes indicam, alteração meteórica e meteorização aludem à alteração das rochas provocada pelos agentes meteóricos. Pode dizer-se, ainda, supergénica, na medida em que se processa à superfície do planeta sob a acção da energia solar, e per descensum, uma vez que actua de cima para baixo.
Os nossos irmãos brasileiros introduziram o termo intemperismo como sinónimo de meteorização, termo que tem vindo a ser usado entre nós com frequência crescente.
Um outro conceito alude à desagregação e transformação dos minerais e, consequentemente, das rochas, provocadas pelos agentes atmosféricos, por organismos vivos e pelas águas pluviais na capa mais superficial da crosta emersa. Neste processo, salienta-se a redução do tamanho das partículas resultantes da desagregação, o que lhes proporciona um estado de maior susceptibilidade às citadas transformações, uma vez que aumenta a superfície exposta aos ditos agentes. As referidas transformações têm lugar, não só por efeito da energia solar, mas também da energia interna, própria de cada um dos minerais das rochas, energia esta que se liberta espontaneamente no decurso da decomposição.
A meteorização não é mais do que uma resposta por parte dos minerais das rochas, originalmente em equilíbrio no interior da litosfera, quando expostos à superfície, em contacto com a atmosfera, a hidrosfera e, sobretudo, com a biosfera, processo conhecido por epimorfismo ou epigénese. Sendo a meteorização um processo espontâneo, os produtos resultantes possuem um nível de energia interna inferior à dos que lhes estão na origem.
A meteorização manifesta-se pela desagregação e/ou decomposição das rochas, levadas a cabo pelos agentes externos (físicos, químicos e biológicos), convertendo-as em outros produtos naturais em equilíbrio com as condições termodinâmicas e químicas do meio, que é, afinal, o da superfície subaérea da Terra. Por outras palavras, a meteorização das rochas traduz a sua adaptação a um dado ambiente externo, na interface litosfera-atmosfera-hidrosfera-biosfera.

                                             Galopim de Carvalho